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Sars 'acordou' o mundo, diz diretora da OMS
A Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês) serviu para "acordar o mundo" em relação à necessidade de países desenvolvidos e subdesenvolvidos implementarem uma rede de saúde pública mais eficaz. Essa é a opinião da diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), a norueguesa Gro Harlem Brundtland, durante uma palestra realizada nesta segunda-feira na London School of Economics (LSE), em Londres. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participou do mesmo evento, que discutiu a situação da economia mundial. Segundo Harlem, que no mês que vem deixa o cargo na OMS para ser substituída por Jong Wook Lee, a alta mobilidade de pessoas no mundo atual deixou o planeta "sem barreiras físicas" entre países ricos e pobres o que só facilita o avanço de doenças infecciosas, caso um sistema adequado de saúde não seja implementado. A diretora-geral da OMS afirmou que organismos internacionais cometeram erros, mas também acertos, no combate à Sars. Epidemias Harlem disse ainda que a doença, responsável pela primeira grande epidemia do século 21, serviu para a comunidade internacional saber que os governos e os organismos internacionais precisam trabalhar junto com a sociedade civil, trocar experiências, desenvolver esquemas de saúde pública, capacitar pessoal e redes de vigilância de doenças. "Só assim que doenças como a Sars não voltarão a causar tantos estragos", disse Brundtland à BBC Brasil. Na última assembléia geral da OMS, em maio, foi discutida a possibilidade de novas doenças tão perigosas como a Sars virem a atingir a população. Males como a gripe do frango na Holanda e na Bélgica e um novo tipo de encefalopatia espongiforme bovina que estaria afetando caçadores nos Estados Unidos preocupam especialistas. Harlem contou que, durante a assembléia, aprovou pessoalmente financiamentos, via OMS, para que países pobres incrementem seus sistemas de saúde, com o objetivo de capacitar pessoal e hospitais que trabalhem em alerta e resposta a doenças. "Acho que isso deve continuar a ser feito, mas para isso precisamos de fundos o que ainda não há em abundância", disse Brundtland. Diferenças A diretora-geral da OMS criticou ainda as "diferenças gritantes" entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos que, segundo ela, ainda são prejudicados por regras comerciais "absurdas". "É difícil para os países ricos acharem dinheiro para ajudar os pobres, enquanto seus líderes estiverem preocupados em financiar campanhas de reeleição", alfinetou. Apesar de não querer comentar sobre os desafios do novo diretor-geral da OMS, Brundtland disse que a nova gestão deve concentrar seus esforços no combate a doenças associadas à pobreza e à falta de acesso a redes de saúde pública, como Aids, tuberculose e malária. Segundo ela, esses males "prejudicam o mundo como um todo". Harlem afirmou que países como o Brasil - cujo diretor do programa de combate à Aids, Paulo Teixeira, participa do grupo de transição para a nova diretoria - têm muito o que ensinar para os países em desenvolvimento. "O Brasil cumpriu a agenda em relação à Aids: investiu em educação, prevenção, barateio de tratamento e fiscalização de doentes", definiu Brundtland. |
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