Três Poderes sob proteção; STF proíbe bloqueios e manda prender bolsonaristas de nova manifestação

Anderson Torres colocando as duas mãos no rosto com expressão de desespero

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Anderson Torres disse que vai interromper férias nos Estados Unidos e voltar ao Brasil para se apresentar à Justiça
Tempo de leitura: 7 min

Milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram protestar em Brasília no domingo (8/1), onde invadiram e depredaram prédios públicos, como o Supremo Tribunal Federal (STF), o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.

Após os atos, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) foi afastado do cargo por 90 dias. Na tarde de terça-feira (10/1), o ex-comandante da PM do DF, Fabio Augusto Vieira, foi preso, a pedido do ministro Alexandre de Moraes, que citou "omissão" e também determinou a detenção do ex-secretário da Segurança do DF, Anderson Torres.

Nesta quarta-feira (11/01), após a convocação de uma nova manifestação de bolsonaristas para hoje em diversas cidades, incluindo Brasília, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, proibiu bloqueios de rodovias e ocupação de prédios nos locais indicados nessa nova convocação.

Além disso, o ministro mandou prender pessoas envolvidas em uma eventual nova manifestação. A decisão foi em resposta a um pedido feito pela Advocacia-Geral da União (AGU). Para evitar novas invasões, homens da Força Nacional de Segurança foram posicionados na Esplanada dos Ministérios e o acesso à área está restrito.

Confira a seguir uma linha do tempo dos fatos que aconteceram até agora:

  • Na tarde do domingo (8), por volta das 14h, um grupo de cerca de 4 mil bolsonaristas que estava concentrado na frente do Quartel-General do Exército em Brasília se deslocou para a Esplanada dos Ministérios, escoltados pela Polícia Militar do Distrito Federal, em um trajeto de cerca de 7 quilômetros;
  • Às 15h, na Praça dos Três Poderes, centenas de pessoas subiram as rampas que dão acesso ao Congresso Nacional e ao Palácio do Planalto. Pouco depois, às 15h45, parte do grupo se dirigiu até o prédio do STF;
  • Uma parcela dos bolsonaristas subiu na laje do congresso, enquanto um outro grupo ingressou no Salão Verde e no plenário do Senado Federal. As imagens também mostram bolsonaristas dentro dos salões e dos gabinetes do Palácio do Planalto e do plenário do STF, com destruição de vidraças, móveis, equipamentos e obras de arte;
  • Por volta das 17h, agentes de segurança conseguiram retomar o prédio do STF e expulsar os invasores. Conforme mais policiais chegavam ao local, os demais prédios também foram esvaziados aos poucos. Mesmo assim, os apoiadores de Bolsonaro continuaram nas proximidades da Praça dos Três Poderes;
Linha do tempo dos principais eventos da invasão de Brasília
  • O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, foi exonerado do cargo pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). Torres foi ministro da Justiça e da Segurança Pública no governo de Jair Bolsonaro e atualmente está de férias nos Estados Unidos. Pouco antes de ser desligado do cargo, ele postou no Twitter que "criminosos não sairão impunes" e que "é inconcebível a desordem e inaceitável o desrespeito às instituições".
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  • Às 18h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um pronunciamento em Araraquara, no interior de São Paulo. Ele visitava a cidade, que sofreu danos por causa das fortes chuvas registradas nos últimos dias. Durante o discurso, Lula decretou intervenção federal na área de Segurança Pública do Distrito Federal até 31 de janeiro e designou o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Garcia Cappelli, como interventor. "Não existe precedente ao que essa gente fez e, por isso, essa gente terá que ser punida", afirmou.
  • O que é a intervenção federal decretada por Lula no Distrito Federal
  • Pouco depois, o governador do DF, Ibaneis Rocha, gravou um vídeo em que pede desculpas pela invasão diretamente a Lula, à presidente do STF, Rosa Weber, e aos presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP) e Rodrigo Pacheco (PSD). "São verdadeiros vândalos. Verdadeiros terroristas que terão de mim todo o efetivo combate para que sejam punidos", afirmou;
Forças de Segurança sobem a rampa para expulsar invadores

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Forças de Segurança expulsaram os invadores do Palácio do Planalto
  • A invasão de Brasília gerou uma série de manifestações de personalidades públicas do Brasil e do mundo. Nos EUA, congressistas do Partido Democrata defenderam a extradição de Bolsonaro, que está na Flórida desde 31 de dezembro. "Nós devemos nos solidarizar com o governo democraticamente eleito de Lula. Os Estados Unidos devem parar de conceder refúgio a Bolsonaro na Flórida", afirmou Alexandria Ocasio-Cortez, deputada por Nova York;
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  • Durante a noite, com a retomada dos prédios públicos, jornalistas, congressistas e representantes do governo Lula conseguiram avaliar a situação. Paulo Pimenta, ministro da Secretaria de Comunicação Social, divulgou um vídeo gravado no Palácio do Planalto, em que é possível ver a destruição de monitores, impressoras, telefones, obras de arte e móveis;
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  • Em coletiva de imprensa realizada por volta das 20h30, o ministro da Justiça, Flávio Dino, classificou a invasão como "terrorismo e golpismo". Ele também afirmou que a investigação focará em quem foram os financiadores desses atos;
  • Às 21h, Lula chegou a Brasília e foi conferir os danos no Palácio do Planalto e no STF. Nas redes sociais, o presidente escreveu: "Os golpistas que promoveram a destruição do patrimônio público em Brasília estão sendo identificados e serão punidos. Amanhã retomamos os trabalhos no Palácio do Planalto."
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Segunda-feira, 9 de janeiro

  • Já na madrugada de segunda-feira (9), o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o afastamento de Ibaneis Rocha do governo do DF. O decreto vale por 90 dias. A decisão do ministro foi dada em resposta a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AC);
  • Quem é Ibaneis Rocha, governador afastado por decisão de Alexandre de Moraes
  • Na manhã de segunda, foram registradas manifestações em algumas cidades. Em São Paulo, bolsonaristas atearam fogo em pneus e entulhos na Marginal Tietê, mas a via foi liberada após 1h40 de interdição;
  • Após ordem do ministro Alexandre de Moraes, o acampamento de bolsonaristas na frente do Quartel-General do Exército em Brasília foi desmantelado. O mesmo aconteceu em outras estruturas do tipo espalhadas por várias cidades;
  • O Palácio do Planalto divulgou uma nota que faz um balanço inicial das obras de arte que foram depredadas. O texto informa que a Galeria dos Ex-Presidentes está "totalmente destruída" e o corredor do 2º andar que dá acesso às salas dos ministérios foi "brutalmente vandalizado".
Invasão do Congresso Nacional

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Cerca de 1.500 pessoas já foram presas, segundo o ministro Flávio Dino
  • As obras de arte vandalizadas nas invasões em Brasília
  • Michele Bolsonaro, mulher do ex-presidente Bolsonaro afirmou nas redes sociais que o marido foi internado em um hospital na Flórida, nos Estados Unidos, por conta de um desconforto abdominal.
  • Em coletiva de imprensa realizada no final da tarde, Flávio Dino apontou que 1.200 pessoas foram detidas após as invasões em Brasília. Elas foram encaminhadas à Academia Nacional da Polícia Federal e são ouvidas por 50 equipes da Polícia Judiciária Federal.
  • Os 3 focos das investigações sobre ação de bolsonaristas em Brasília
  • Em uma petição à qual a BBC News Brasil teve acesso, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes que inclua o nome do ex-presidente Bolsonaro no inquérito que apura as invasões. Calheiros também pediu que seja determinado o retorno imediato de Bolsonaro ao Brasil e, em caso de descumprimento, seja decretada a prisão preventiva do ex-presidente.
Manifestantes fazem protesto em São Paulo contra invasões que ocorreram em Brasília

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Manifestantes fazem protesto em São Paulo contra invasões que ocorreram em Brasília
  • Centenas de manifestantes se reuniram em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, em uma manifestação contra as invasões que ocorreram em Brasília. Os atos pró-democracia também foram registrados em outras 16 capitais, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife.
  • No início da noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com os governadores de 23 Estados. "Não vamos permitir que a democracia escape de nossas mãos porque é a única chance da gente garantir que esse povo humilde coma três vezes ao dia, ou ter direito de trabalhar", disse. Em seguida, o presidente caminhou com ministros do STF e os governadores e representantes de todos os Estados até o prédio do Supremo Tribunal Federal.
  • Três torres de transmissão de energia elétrica caíram, com "indícios de vandalismo e sabotagem", em diferentes locais do país, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
  • As quedas ocorreram entre a noite de domingo (8/1) e a madrugada de segunda-feira (9/1), após as invasões e atos de vandalismo em Brasília, mas não está claro se as quedas têm relação com o ocorrido na capital.

Terça-feira, 10 de janeiro

  • Na tarde desta terça-feira (10/1), o ex-comandante da PM do Distrito Federal, Fabio Augusto Vieira, foi preso, a pedido do ministro Alexandre de Moraes.
  • O ministro também determinou a detenção do ex-secretário da Segurança do DF, Anderson Torres.
  • Em sua conta no Twitter, Anderson Torres disse que, após a decisão, vai interromper suas férias nos Estados Unidos e retornar ao Brasil. "Irei me apresentar à justiça e cuidar da minha defesa", afirmou na rede social.

Quarta-feira, 10 de janeiro

A pedido da AGU, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou:

que autoridades e agentes de segurança de todo o Brasil impeçam o bloqueio de rodovias e a ocupação de prédios ou espaços públicos nos locais indicados na postagem sobre a "mega-manifestação" convocada para esta quarta-feira

  • Proibição de bloqueio de vias, ocupação de prédios públicos nos locais indicados na postagem sobre essa manifestação e aplicação de multa a quem descumprir a ordem.
  • Prisão em flagrante de todos os que descumprirem as medidas.
  • Identificação de veículos envolvidos em qualquer manifestação relacionada à postagem.
  • Bloqueio de canais e perfis do Telegram.

Confira o antes e depois dos prédios públicos vandalizados

Edifício do Congresso Nacional em março de 2020 e em 8 de janeiro de 2023, tomado por bolsonaristas vestidos de verde e amarelo
Plenário do STF em agosto de 2021, com seu auditório de cadeiras beges, e as mesmas cadeiras destruídas em 8 de janeiro de 2023
Ambiente interno do edífício do STF em agosto de 2021 e com móveis destruídos em 8 de janeiro de 2023
BBC