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'Absurdo' ou 'presidente dos sonhos': as reações do mundo político ao vídeo da reunião do governo Bolsonaro
- Author, Rafael Barifouse
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Tempo de leitura: 4 min
As reações do meio político ao vídeo da reunião ministerial divulgado pelo Supremo Tribunal Federal se dividiram entre aqueles que consideram que as imagens comprovam a acusação feita pelo ex-ministro Sergio Moro de que Jair Bolsonaro (sem partido) queria interferir na Polícia Federal (PF) e os que avaliaram o conteúdo como inofensivo e até mesmo benéfico para o presidente.
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) disse que as falas reveladas no vídeo da reunião geram uma "imensa desmoralização e perda de legitimidade" do governo Bolsonaro.
Por sua vez, o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que estava presente na reunião, afirmou que o vídeo mostra que o presidente está preocupado em "servir ao povo brasileiro".
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que a reunião demonstra um "descaso pela democracia" por parte do governo.
A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) afirmou que a postura e falas dos presidente no encontro são para "proteger o povo dos ditadores e tiranos".
Citado nominalmente por Bolsonaro na reunião, Fernando Haddad (PT), que foi adversário do presidente na última eleição, disse que "não há dúvida" sobre a intenção dele ao afirmar que queria fazer trocas na "segurança".
O escritor Olavo de Carvalho afirmou que o vídeo mostra que "Bolsonaro é o presidente dos nossos sonhos".
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que pretende processar os participantes da reunião por suas falas no encontro e classificou o vídeo como "absurdo".
Por sua vez, o assessor especial da Presidência Filipe Martins celebrou a divulgação do vídeo ao dizer que "a verdade prevalece".
O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) afirmou que o vídeo "é a confissão dos crimes de Bolsonaro e de todo o seu governo".
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (Republicanos-RJ) publicou um trecho do Hino Nacional e afirmou que a vontade do povo é "soberana".
A deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, criticou a forma como o presidente se expressou na reunião.
A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) disse ter "orgulho" de uma fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub.
Já o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) chamou o ministro da Educação de "golpista".
Até a publicação desta reportagem, Weintraub não havia se pronunciado sobre a divulgação do vídeo.
Outro ministro que foi alvo de muitas críticas por suas falas no vídeo foi Ricardo Salles (Novo-SP), do Meio Ambiente.
O senador Humberto Costa (PT-SP) afirmou que a manifestação do ministro "chega a ser" doentia.
Salles afirmou que sempre defendeu "desburocratizar e simplificar normas".
A ex-candidata à vice-presidência da República Manuela d'Ávila (PCdoB-RS) destacou que o único assunto que não foi tratado no vídeo da reunião foi a pandemia do coronavírus.
Por sua vez, a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) afirmou que o vídeo não é prejudicial para Bolsonaro como se pensava e que pode inclusive beneficiá-lo.
Foi uma avaliação semelhante a de analistas políticos. O filósofo Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo, disse que o vídeo é "ambivalente".
A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado avalia que o vídeo fortalece o presidente junto à sua base.
Moro afirmou que a "verdade foi dita, exposta em vídeo" e comprovada com fatos posteriores".
Já o presidente Jair Bolsonaro limitou-se a repetir o slogan de sua campanha.
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