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Mensagens mostram Bolsonaro pedindo troca na PF para proteger deputados aliados, diz JN
O Jornal Nacional, da TV Globo, publicou na noite desta sexta-feira (24) mensagens de texto trocadas entre o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro. Na conversa, Bolsonaro parece defender que o comando da Polícia Federal seja trocado para evitar investigações de aliados.
Sergio Moro pediu demissão do cargo na manhã desta sexta, depois que Bolsonaro decidiu trocar o comando da PF. Ele justificou a saída do governo acusando o presidente de estar intervindo politicamente no órgão.
Segundo Moro, Bolsonaro queria um diretor-geral na PF que lhe passasse informações sobre investigações.
Em uma das mensagens, Bolsonaro diz a Moro que uma apuração da Polícia Federal contra deputados bolsonaristas seria "mais um motivo" para a troca do agora ex-diretor da corporação, Maurício Valeixo.
Na conversa, o presidente da República envia a Moro o link de uma notícia publicada nesta quarta-feira (22) pelo site O Antagonista, intitulada "PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas". Em seguida, Bolsonaro escreve: "Mais um motivo para a troca (de Valeixo)".
A apuração a que Bolsonaro se refere foi instaurada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) esta semana e tem por objetivo apurar a organização de protestos que pediam a volta de uma ditadura no país. Os protestos aconteceram no último domingo (19), e Bolsonaro discursou em um deles, na capital da República.
Na troca de mensagens no WhatsApp, Bolsonaro responde a Moro que o inquérito no Supremo "é conduzido pelo Ministro Alexandre (de Moraes) no STF, diligências por ele determinadas, quebras (de sigilo) por ele determinadas, buscas por ele determinadas".
Ao apresentar as conversas, o Jornal Nacional deixou claro que elas foram encaminhadas à produção por Sergio Moro.
'Aceite a troca na PF e vá para o Supremo em setembro'
A reportagem do Jornal Nacional também publicou uma segunda troca de mensagens de Moro, desta vez com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).
Integrante da ala leal a Bolsonaro no partido, Zambelli era também uma das políticas mais próximas de Moro — o ex-ministro foi padrinho do casamento dela, em fevereiro deste ano.
Na conversa, a deputada pede a Moro que "aceite o (policial federal Alexandre) Ramagem (no comando da PF, em substituição a Maurício Valeixo)".
Ramagem é o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e foi nomeado por Bolsonaro para comandar a PF na tarde desta sexta-feira.
"E vá em setembro para o STF", completa Zambelli, em seguida. O próximo ministro a deixar o STF será Celso de Mello — o que acontecerá em novembro deste ano.
"Eu me comprometo a ajudar a fazer JB (Jair Bolsonaro) prometer (a nomeação)", diz Zambelli.
Lacônico, Sergio Moro responde a Zambelli: "Prezada, não estou à venda".
"Ministro, por favor. Milhões de brasileiros vão se desfazer", apela a deputada do PSL. "Eu sei (que não está à venda). Por Deus, eu sei", diz ela.
A BBC News Brasil procurou Carla Zambelli para repercutir o assunto. A deputada encaminhou à reportagem o link de um vídeo transmitido ao vivo em sua página no Facebook, no qual ela fala sobre o ocorrido.
"O Ramagem era um dos nomes cotados para a substituição do Valeixo, que dizia que estava cansado", diz Zambelli.
"Eu estava propondo a ele aceitar o Ramagem, que era um nome bom para ele e para o Bolsonaro. E como uma cidadã, como qualquer uma de vocês, eu disse que 'o seu lugar é no STF, eu te ajudo a ir para o STF'", disse ela.
"Em momento nenhum eu ofereci dinheiro a ele. Eu só estava pedindo: fique no governo, ajude o governo", diz Zambelli.
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