Crônica de duas mortes no Brasil da violência política

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- Author, Vinícius Lemos
- Role, De Cuiabá para a BBC News Brasil
- Tempo de leitura: 12 min
De um lado, eleitores de Jair Bolsonaro (PSL). Do outro, apoiadores do petista Fernando Haddad. Em meio à polarização na disputa eleitoral deste ano, a Polícia Civil do Ceará investiga duas mortes que ocorreram no Estado durante o período do segundo turno. A entidade não confirma qualquer motivação específica para os crimes. Para os familiares dos dois homens, porém, não há dúvidas: foram crimes de cunho político.
Os barulhos dos tiros ainda ecoam nos ouvidos da sindicalista Maria Regina Lessa, de 46 anos. Era noite de 27 de outubro, véspera do segundo turno das eleições. A mulher empunhava uma bandeira do Partido dos Trabalhadores dentro do Fiesta prateado, ano 2004, em uma carreata pró-Haddad, em Pacajus, na região metropolitana de Fortaleza.
O veículo era conduzido pelo filho mais novo dela, Charlione Lessa, de 23 anos. A sindicalista conta que, por volta das 19h, um Gol branco se aproximou e fez disparos contra o jovem. Desesperada, ela viu o caçula perder os sentidos. Menos de uma hora depois, Charlione morreu.
Regina é assertiva: o filho foi morto em razão de divergência política. "Antes de atirar, o homem falou: 'treze, não, porra'. 'É nós'. Toda vez que ele dizia 'é nós', fazia um novo disparo", conta à BBC News Brasil. Segundo ela, Charlione foi atingido por três tiros.
Dias antes, houve outra morte relacionada pela família à polarização eleitoral, também no Ceará. A costureira autônoma Maria Simone da Cunha, de 34 anos, relata que o marido, o vendedor de livros Valdemir Mendes Cirino, 36, chegou em casa, no dia 11, com ferimentos e arranhões pelo corpo. "Ele me disse que foi agredido por eleitores do Haddad ao manifestar apoio a Bolsonaro", conta a mulher.
Valdemir morreu dias depois de sofrer as agressões graves. A viúva do vendedor se recorda de uma das últimas conversas que teve com o marido, no dia em que o homem morreu. "Ele me pediu desculpas por ter discutido política na rua. Eu disse pra ele que não precisava se desculpar, porque não era errado dizer em quem vai votar", diz à BBC News Brasil.
Nenhuma das vítimas tinha passagem pela polícia.

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Investigação em andamento
A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informa que as mortes deles estão sendo investigadas pela Polícia Civil. A pasta não associa, ao menos por ora, os casos a divergências políticas. "Não podem ser repassadas mais informações para não comprometer o trabalho", limita-se a comentar a assessoria de imprensa da entidade.
Em 24 de outubro, a Defensoria Pública do Ceará criou o Observatório de Intolerância Política e Ideológica, adotado também em outros sete Estados. A iniciativa tem o objetivo de apurar denúncias de crimes de cunho político.
Atualmente há 14 casos sendo acompanhados. Um deles é o assassinato de Charlione. Entre as investigações, há também supostos crimes contra movimentos sociais, assédio moral, abuso sexual, racismo e homofobia. A entidade não informa detalhes sobre os casos. A morte de Valdemir não está entre as investigações, pois não foi denunciada ao observatório.
Casos de intolerância registrados no período eleitoralem diversos pontos do País ilustram a polarização. A professora de ciência política e assuntos internacionais na Universidade de Columbia, em Nova York (EUA), Maria Victoria Morillo disse, em entrevista recente à BBC News Brasil, que o pleito deste ano teve a polarização mais alta desde redemocratização.

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Os disparos na carreata
Na manhã daquele sábado de 27 de outubro, Regina e outros colegas foram à feira de Pacajus para distribuir panfletos pró-Haddad e anunciar a carreata que aconteceria mais tarde. Os atos favoráveis ao Partido dos Trabalhadores fazem parte da vida dela há duas décadas, desde que começou a participar ativamente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Calçados da região - atualmente, ela é uma das diretoras.
Mãe solteira, Regina criou os três filhos sozinha. Há mais de 20 anos, trabalha em uma fábrica de calçados. Além de Charlione, ela tem uma filha de 27 anos e um de 24. O caçula era o único que morava com ela e costumava acompanhá-la nos atos políticos. No primeiro turno, os dois participaram de outras manifestações pró-Haddad.
A carreata do dia 27 estava marcada para começar às 16h. Uma das organizadoras do ato, Regina chegou ao local por volta das 16h10, acompanhada de Charlione e do neto de seis anos, filho da primogênita. Os três usavam blusas vermelhas, com o símbolo do PT, os nomes de Haddad e sua vice, Manuela d'Ávila, e o número 13 em destaque.
No caminho para a carreata, a sindicalista conta que eles foram abordados por eleitores de Bolsonaro. "Disseram para a gente: 'tem medo de ficar com isso no seu vidro traseiro não, babaca? Tira esse adesivo'. Eu achei aquilo ofensivo, mas não me abalou", diz. Eles seguiram para a manifestação.
O ato começou com mais de duas horas de atraso. "Decidimos esperar mais pessoas, porque muitas ainda estavam no trabalho." No dia anterior, havia acontecido uma manifestação pró-Bolsonaro na mesma região da cidade.
Por volta das 18h30, os carros - aproximadamente 100 - que estavam no ato começaram a andar lentamente por uma das principais ruas de Pacajus. Dentro dos veículos, apoiadores do PT seguravam bandeiras enquanto faziam o percurso. No banco traseiro do Fiesta, o neto de Regina acompanhava a manifestação. Charlione conduzia o carro, enquanto cumprimentava conhecidos que também participavam do movimento.

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Pouco menos de 30 minutos depois do início do ato, segundo Regina, o carro dos agressores chegou. Segundo a sindicalista, havia dois homens no outro veículo. O rapaz que estava no banco do carona apontou a arma em direção a Charlione. "Foi tudo muito rápido. Eu pensei que fosse arma de brinquedo, porque no dia anterior, na carreata do Bolsonaro, tinha muito armamento de mentira", relembra.
A sindicalista somente percebeu que não se tratava de uma brincadeira quando viu os tiros disparados contra o filho. "Foi uma coisa muito chocante. Foi muito triste", lamenta. Apavorada, Regina ficou inerte por alguns segundos. "Não sabia o que fazer. Não conseguia raciocinar. Não sabia se socorria meu filho ou se saía do carro e pedia para anotarem a placa daquele carro, que estava fugindo."
De acordo com ela, o motorista do Gol saiu em disparada. Na mesma rua em que acontecia a manifestação, está localizada a delegacia de polícia de Pacajus.
Charlione agonizava no carro. Minutos depois, foi levado ao Hospital Municipal da cidade. Regina teve de ser amparada por colegas. Nas redes sociais, pouco depois do crime, circulou um vídeo que mostra a sindicalista consternada, enquanto é abraçada por outras mulheres, na sala de espera da unidade de saúde. Ao redor dela, outras pessoas choram. Na filmagem, uma mulher brada: "Ninguém vai se calar para o Bolsonaro!"
Menos de uma hora depois de chegar ao hospital, Charlione morreu. "Pedi para deixarem meu filho falar comigo, pelo menos pela última vez. Mas o médico me disse que não dava mais, porque ele já estava morto", emociona-se Regina.
Morte do eleitor de Bolsonaro
Era início da tarde de 11 de outubro, uma quinta-feira, quando Valdemir Mendes Cirino encerrou seu trabalho e foi a uma praça de Fortaleza para pesquisar promoções de livros escolares. Ele buscava renovar seu estoque e se preparar para o início do próximo ano letivo.
De acordo com a esposa dele, depois de olhar os itens, o homem passou por uma avenida na qual havia uma manifestação a favor de Haddad. Um grupo de apoiadores do PT se aproximou dele e ofereceu panfletos do partido. "Ele me contou que disse para aquele grupo que não queria, porque iria votar no Bolsonaro. Então, eles começaram a discutir", diz Simone da Cunha.
Em razão do embate, segundo a costureira, mais de 10 manifestantes pró-Haddad começaram a agredir Cirino. O homem disse à esposa que levou socos e pontapés. "Foram tantas agressões que ele desmaiou e ficou caído no chão. Quando acordou, disseram que ele era um ladrão. Mas, na verdade, ele é que tinha sido vítima. Inclusive levaram a carteira dele, o celular e a sandália, enquanto estava desacordado", afirma.

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Por volta das 20h, Valdemir chegou em casa. Com machucados e arranhões pelo corpo, principalmente no braço esquerdo e na barriga, contou a situação para a mulher, mas disse que estava bem. Ela revela ter insistido para que o marido denunciasse o caso e depois fosse ao médico, mas o homem não quis. "Ele tomou banho e foi dormir."
Simone está grávida e acredita que o marido a poupou de detalhes sobre a agressão para que ela não ficasse preocupada. "Ele percebeu que eu fiquei muito desesperada com tudo isso, então, talvez ele tenha amenizado o fato, para que eu não passasse mal. Na época, eu estava no terceiro mês de gestação e o médico disse que era uma gravidez de risco", diz.
Ela e o marido estavam casados havia dois anos. Simone tem dois filhos, de oito e seis anos, e Cirino tinha três filhas, duas adolescentes e uma criança de seis anos. Os dois estavam felizes com a recém-descoberta da gravidez dela e faziam planos para o futuro. "Desde o início queríamos ter um filho juntos. Era uma realização para a gente."
No dia 12, ele passou o feriado em casa com a mulher. Nos dias seguintes, também não saiu. "No início, ele não reclamava de dor, por isso não pensei que fosse algo grave", conta Simone. A situação piorou na terça-feira seguinte, dia 16. "Ele acordou com o braço muito inchado, com muita dor no tórax e com um soluço que não parava de jeito nenhum", relembra.
Eles foram uma Unidade de Pronto Atendimento. De acordo com Simone, o médico disse que as dores, o inchaço e os soluços intermináveis eram causados pelas pancadas. "Ele tomou medicamentos e fomos para casa", narra. No dia seguinte, quarta-feira, o quadro de saúde de Valdemir permaneceu o mesmo. "Fomos novamente ao médico, que pediu um raio-X."
O exame apontou uma pequena fratura no lado direito da costela do homem, segundo a viúva. "O médico pediu para que a gente fosse, no dia seguinte, ao Hospital do Coração [em Fortaleza], porque o inchaço e o soluço dele não eram normais."
Na outra unidade de saúde, Simone comenta que a fratura na costela foi confirmada pela equipe médica, que orientou que o homem procurasse o Hospital Distrital Edmilson Barros de Oliveira. Eles foram ao lugar ainda na quarta-feira.
"Quando chegamos, a pessoa que nos atendeu disse que seria preciso drenar o braço do meu marido, como se houvesse algo mais grave. Ele foi encaminhado para um cirurgião. O médico pediu exames de sangue, fez um novo raio-X das costelas e o deixou em observação", detalha.
Conforme Simone, houve troca de turno no plantão de médicos e um outro profissional avaliou os exames. "Esse novo médico disse que meu marido não tinha nenhuma costela fraturada, que estava tudo bem e era só tomar medicamentos para a dor e ir embora."
Dores
Na noite de quinta-feira, eles foram para casa. No dia seguinte, Cirino amanheceu relatando dores mais fortes. O soluço estava mais intenso. "Mesmo reclamando de dores no tórax, ele apenas respirou mais devagar, como o médico tinha dito. Realmente pensávamos que não havia nada", observa. No início da noite, a dor do vendedor aumentou.
"Ele começou a reclamar de dores muito fortes. Eu chamei a ambulância, mas disseram que eu teria que levá-lo com um veículo próprio. Nós não temos carro, então, comecei a gritar de desespero para que os vizinhos me escutassem."
Pouco antes de um vizinho chegar, Simone conta que o marido não resistiu. "O meu marido dizia que estava sentindo uma dor muito forte no tórax. Ele falou que isso o impedia de respirar. Aos poucos, ele foi fechando os olhos, enquanto estava em meus braços, não suportou mais e morreu", conta.
O vendedor chegou ao hospital sem vida. No atestado de óbito, consta que ele morreu em decorrência de uma hemorragia interna causada por pancadas. A situação ocorre quando há uma lesão interna que faz com que o sangue não circule adequadamente e os órgãos não sejam nutridos de modo correto.
Para Simone, não há dúvidas de que as agressões sofridas pelo marido causaram a hemorragia interna. Ela acredita que o atendimento médico recebido por ele também piorou a saúde de Cirino. A costureira afirma que houve negligência médica.
"Por que liberaram o meu marido sem ter visto que ele estava mal? Foi uma falha grave", diz. Ela pretende entrar com uma ação judicial contra o hospital que fez o último atendimento antes de o marido morrer.
Em comunicado enviado à BBC News Brasil, a Secretaria de Saúde de Fortaleza nega que tenha ocorrido negligência médica no atendimento. Segundo a pasta, o paciente permaneceu em observação e passou por exames. Na versão da entidade, o vendedor foi liberado somente após os exames de sangue e o raio-X apontarem que ele não possuía nenhuma fratura ou problema de saúde.
A espera por Justiça
Desde a morte do filho, Regina afirma que tem buscado forças na família. Ela está morando temporariamente em Fortaleza, para ficar mais perto dos parentes. "Foi tudo tão cruel que decidi sair um pouco da minha cidade, para passar um período por aqui", diz.

Crédito, EPA
Atualmente, uma das preocupações de Regina é com o neto que a acompanhava no carro atacado. O garoto, segundo ela, tem se assustado com qualquer barulho. "Ele está traumatizado e vai ter que começar a fazer acompanhamento psicológico nas próximas semanas", comenta.
A sindicalista diz ter ficado indignada com histórias divulgadas em redes sociais sobre Charlione. "Disseram que a morte dele tinha relação com crimes ou coisa assim, mas meu filho nunca se envolveu com nada de errado. Ele não tinha nem antecedentes criminais."
Também nas redes sociais, algumas publicações associavam Charlione ao irmão, Charliton Lessa Albuquerque, que já foi condenado por roubo. De acordo com Regina, o filho atualmente está em liberdade e cumpre medidas determinadas pelo Poder Judiciário. "Ele errou e já pagou pelo que fez, porque ficou detido por oito meses. Agora, querem usar isso para tentar prejudicar a imagem do Charlione. Não tem nada a ver uma coisa com a outra."
A sindicalista conta que Charlione estava morando com a irmã desde que encerrou o serviço em uma obra, na qual trabalhava como pedreiro. "Ele ajudava a minha filha a cuidar dos meus netos. Era um rapaz trabalhador. Ele estava procurando emprego e não parava de distribuir currículos."
O maior desejo dela é que os responsáveis pela morte do filho sejam presos. Nesta semana, ela foi chamada para reconhecer as imagens de suspeitos, mas não conseguiu identificá-los. "Estou muito consternada, então, o delegado me pediu para fazer isso em outro momento", revela. A Polícia Civil não informou se algum suspeito foi identificado ou preso.
"Queremos Justiça. Não quero que aconteça com mais ninguém a mesma coisa que houve com meu filho. É muito triste. Ninguém tem o direito de tirar a vida de uma pessoa. É muito revoltante pensar que acabaram com a vida de um jovem que tinha tanta coisa pela frente", declara.
Regina não conseguiu votar no segundo turno, porque estava velando o filho. "Outras 30 pessoas da minha família também não votaram, porque não tinham condições emocionais para isso", explica. Apesar de tudo o que vivenciou, ela ressalta que não abandonará os movimentos dos quais participa.
"Não é possível que as pessoas sejam tão intolerantes. Temos que ter nossa liberdade para lutar pelos nossos direitos. Mesmo com tudo o que aconteceu, vamos seguir. Não vamos nos calar nem temer diante dessa situação. Já temos muitas conquistas e alcançamos muitas coisas com lutas", diz.

Crédito, AFP/Getty
Angústia pelo futuro
Após a morte de Valdemir Cirino, o irmão dele registrou um boletim de ocorrência narrando que o irmão foi agredido por um grupo de apoiadores de Haddad. Com base no registro, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso. A entidade não informou se algum suspeito foi identificado.
A esposa de Cirino relata que tem vivido dias de angústia desde a perda do marido. Ela espera que os responsáveis pelas agressões sejam identificados o quanto antes.
Sem trabalhar há mais de dois meses, desde que o médico orientou repouso por conta da gravidez, Simone foi morar com a mãe depois da morte do marido. Ela demonstra incerteza em relação ao futuro. "Por enquanto, estou resolvendo as questões referentes a ele [Cirino]", diz.
O pedido de perdão que ouviu do marido no último dia de vida dele ainda a incomoda. "Ele não precisava ter se desculpado por ter dito que votaria no Bolsonaro. Acabou o direito de nos expressar? Vamos ter que nos omitir para viver?", declara. No último dia 28, ela foi à urna para apoiar Bolsonaro. "Foi uma sensação boa por estar votando, mas senti uma tristeza por não ter o meu marido lá. Ele estava comigo no primeiro turno e desta vez senti muita falta dele."
Desde a morte do marido, o momento em que Simone mais sentiu saudades dele foi no início da tarde do dia 26. Na data, a costureira foi ao médico para avaliar a gestação, que havia completado quatro meses. No lugar, recebeu uma notícia que era aguardada por ela e por Cirino. "Descobri que estou grávida de uma menina. Fiquei feliz com a notícia. Mas foi muito doloroso, porque sei que ele não vai ver a filha crescer e ela nunca vai conhecê-lo, só por fotos ou vídeos", lamenta.
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