You’re viewing a text-only version of this website that uses less data. View the main version of the website including all images and videos.
Consultoria internacional aponta risco de delação, mas vê Temer resguardado por elites
O futuro da Operação Lava Jato após a prisão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) representa um risco considerável para reformas constitucionais que o governo federal pretende conduzir em 2017, como a da Previdência.
Por outro lado, o apoio de elites políticas e econômicas à gestão deverá garantir que o presidente Michel Temer saia ileso das investigações e termine seu mandato, prevê a consultoria Eurasia Group.
O risco de Temer ser derrubado antes de terminar o mandato caiu de 20% nos últimos meses para 10% hoje, avalia a consultoria. Ainda assim, a possibilidade de uma delação premiada de Eduardo Cunha é o maior risco para o Planalto no desenrolar da Lava Jato.
Apesar da defesa de Cunha já ter descartado a hipótese de delação premiada do ex-deputado, a consultoria considera essa probabilidade alta, já que a jornalista Claudia Cruz, sua mulher, e sua filha, são investigadas por corrupção e correm risco de prisão.
Cruz responde a processo sob acusação de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e é apontada como beneficiária das contas de Cunha na Suíça.
A Eurasia diz que circulam rumores em Brasília sobre uma possível negociação de Cunha para uma delação que poderia implicar ministros de Temer e um número significativo de deputados. Recentemente, Cunha fez acusações contra o ministro Moreira Franco, chefe de Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).
"É importante lembrar que a prisão de Cunha não é uma verdadeira surpresa, e sim uma questão de tempo. Mas aconteceu em um momento em que o apoio de Temer entre elites econômicas e políticas é mais alto do que nunca", diz a Eurasia.
Uma provável reação política ao andamento da Lava Jato, segundo a consultoria, será a aceleração da votação, no Congresso, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita os gastos da União, que deve ser encerrada até novembro.
Já a prisão de Cunha e as investigações da Lava Jato, avalia a Eurasia, lançam incertezas sobre o encaminhamento de reformas em 2017.
Embora boa parte do Congresso defenda Temer e apoie o corte de gastos, o cálculo do ano que vem pode ser outro - aprovar as reformas pode não parecer tão vital para garantir a sobrevivência do governo.
Se o governo Temer não parecer vulnerável como agora e garantir uma reforma fiscal que permita uma recuperação econômica mínima em 2017, aprovar a reforma previdenciária não será exatamente uma prioridade, diz a consultoria.