Quem era Sebastián Piñera, ex-presidente do Chile morto em acidente de helicóptero

O ex-presidente do Chile Sebastián Piñera, de 74 anos, morreu em um acidente de helicóptero nesta terça-feira (6/2), confirmou o governo do país.
A aeronave caiu na região de Los Ríos. Quatro pessoas estavam no helicóptero.
O acidente em um lago deixou três sobreviventes, informou Carolina Tohá, ministra do Interior e Segurança Pública do Chile.
Referência da direita no Chile, Piñera foi presidente do país por dois mandatos, entre 2010 e 2014 e entre 2018 e 2022 e era uma das pessoas mais ricas do Chile.
O governo chileno declarou luto nacional, e haverá um funeral oficial com honras de Estado.

“Há poucos momentos, tivemos a confirmação de que a Marinha conseguiu chegar ao local onde ocorreu o acidente e recuperar o corpo do ex-presidente”, disse Tohá.
“Queremos expressar o nosso choque com esta tragédia, estender o nosso abraço à família do ex-presidente, a todos os que lhe são próximos, mas também a todos os chilenos”, acrescentou.
“Vamos nos lembrar dele pela maneira como dedicou sua vida ao serviço público.”
A Procuradoria Regional da região de Los Ríos confirmou a abertura de uma investigação após o acidente.
Segundo a mídia local, o ex-presidente estava viajando de volta após visitar o amigo, o empresário José Cox.
A notícia do acidente com Piñera acontece em um momento em que Chile enfrenta um devastador incêndio que já matou mais de 100 pessoas e fez o governo de Gabriel Boric declarar emergência nacional.
Duas vezes presidente

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Piñera começou na política como senador e ocupou o cargo entre 1990 e 1998.
Ele disputou a Presidência em 2005, mas acabou derrotado por Michelle Bachelet.
Em 2010, foi eleito presidente pela primeira pelo partido de conservador Renovação Nacional.
Tornou-se o primeiro representante da direita a assumir o Executivo chileno desde 1958, derrotando o ex-mandatário Eduardo Frei com 51,61% dos votos.
Com o fim da ditadura do general Augusto Pinochet em 1990, o país até então havia sido governado durante duas décadas pela Concertación, de centro-esquerda.
Apesar dos vínculos e do apoio de partidos de direita, Piñera sempre afirmou ter votado contra Augusto Pinochet no referendo de 1988 que permitiu o retorno à democracia no país.

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O empresário assumiu o Executivo chileno após o terremoto que devastou o centro-sul do país em 2010.
Piñera foi um defensor de investimentos e reformas para modernizar o Chile, que é o maior produtor mundial de cobre.
Sua administração enfatizou a gestão e a reconstrução do país e teve medidas consideradas pró-mercado.
Sob seu comando, o Chile teve um crescimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Em 2016, o país teve um crescimento de 1,6%, menor patamar desde 2009.
Foi em seu primeiro governo que o movimento estudantil chileno levou mais de 200 mil pessoas às ruas do país em protestos pedindo a reforma do sistema educacional.
Piñera também era o presidente quando o Chile parou para acompanhar o drama do resgate dos 33 mineiros que ficaram soterrados por mais de dois meses em uma mina de cobre de 700 metros de profundidade.
O segundo mandato de Piñera foi marcado pela mais profunda crise política e social dos últimos 30 anos no país sul-americano, que começaram como protestos após aumento de passagens de metrô, em 2019.
Embora tenha voltado ao poder com a promessa de “tempos melhores”, a volatilidade da economia global, aliada à queda do preço e da produção de cobre, foram obstáculos às suas pretensões.
Também comandou o país durante a pandemia de covid-19, quando foi criticado pelos baixos valores da ajuda financeira dada aos cidadãos para enfrentar a crise, o que aumentou o descontentamento da população.
Piñera terminaria seu período no poder impopular, mas absolvido de um processo de impeachment aberto contra ele em 2021.
No ano seguinte, ele passaria o cargo para o esquerdista Gabriel Boric.
Empresário e fortuna bilionária
Miguel Sebastián Piñera Echenique nasceu em Santiago, em 1949.
Ele filho de Magdalena Rozas e do engenheiro e diplomata José Piñera Carvallo, que participou da criação do partido Democracia Cristã.
Em 1971, Piñera se formou em Economia Política na Universidade Católica do Chile.
Na sequência, fez mestrado e doutorado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
De volta ao Chile em 1976, foi professor de Economia na Universidade Católica do Chile, na Universidade do Chile e na Universidade Adolfo Ibáñez.
Ele começou a fazer sua fortuna em 1978, quando conseguiu a representação das empresas de cartão de crédito no Chile.
Dali em diante foi expandindo seus negócios.
Foi o acionista principal da companhia aérea LAN (hoje Latam, após se unir à brasileira TAM) e também possuía ações da companhia Blanco y Negro, controladora do time de futebol Colo Colo.

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Em 2005, comprou o canal de TV Chilevisión e vendeu a emissora em 2010 para o grupo Time-Warner.
Quando assumiu a Presidência pela primeira vez, ele se desfez desses negócios por causa de conflitos de interesse apontados duramente por seus opositores durante sua campanha e início de mandato.
Sua fortuna foi estimada em mais de US$ 2,7 bilhões (R$ 13,4 bilhões) pela revista Forbes.
Em sua carreira como empresário, Piñera foi multado por órgãos reguladores, acusado de uso de informação privilegiada e foi ligado direta ou indiretamente a outros escândalos.
Ele sempre negou qualquer irregularidade.
Sobre um escândalo sobre empréstimos irregulares de um banco que dirigia na década de 1980, antes de conquistar a Presidência pela primeira vez, ele garantiu que foi “vítima de um ato injusto, ilegal e arbitrário”.
Neste caso, ele foi condenado pela Justiça e permaneceu foragido por alguns dias.
Certa vez, ele admitiu que gostaria de ter sido reconhecido de melhor forma, mas sempre confiou que suas conquistas falariam por si.
“O tempo não é nosso aliado, será nosso juiz”, disse em um discurso perante o Congresso em 2011.
Piñera teve quatro filhos com sua mulher, Cecilia Morel.












