O casal que morreu ao deter um dos atiradores na praia de Bondi na Austrália

Um casal de mãos dadas em frente à uma fonte

Crédito, GoFundMe

Legenda da foto, O casal celebraria seu 35º aniversário de casamento em janeiro, segundo a família
    • Author, Francesca Gillett
    • Author, Anna Lamche
  • Tempo de leitura: 3 min

Imagens chocantes de uma câmera em um veículo mostram como um casal foi morto o tiroteiro da praia de Bondi, na Austrália, após tentarem tirar a arma de um dos atiradores.

Boris Gurman, de 69 anos, e sua esposa Sofia, de 61, agiram com coragem para tentar proteger outras pessoas antes de serem assassinados, disse a família do casal em um comunicado.

Um vídeo mostra Gurman, que era aposentado, lutando com um dos atiradores e pegando a arma, antes dos dois caírem no chão.

Logo depois, Gurman se levanta e aparentemente atinge o suspeito com a pistola. Acredita-se que o atirador tinha outra arma, com a qual assassinou o casal.

"Mesmo que nada possa aliviar a dor pela perda de Boris e Sofia, sentimos um profundo orgulho por sua valentia e generosidade", disse a família.

"Isso resume quem eram Boris e Sofía: pessoas que de maneira instintiva e altruísta sempre tentaram ajudar os outros."

O casal Gurman, que era judeu, foram as primeiras vítimas fatais do ataque de domingo, informou o jornal Sydney Morning Herald.

Até o momento, foram confirmadas pelo menos 15 mortes no tiroteio, que aconteceu durante um evento para celebrar o primeiro dia do Hanukkah.

Assista
Legenda do vídeo, Casal tentou tirar a arma de atirou, mas acabou atingido durante tiroteio

A família também ressaltou no comunicado que o casal estava junto há 34 anos.

"Estamos desolados pela perda repentina e incompreensível de nossos queridos Boris e Sofía Gurman."

"Boris era um mecânico aposentado, conhecido por sua generosidade, sua força silenciosa e disposição para ajudar qualquer pessoa necessitada", continuou o comunicado.

"Sofía trabalhava para a Australia Post [a empresa de serviços de postagem da Austrália] e era muito querida pelos seus colegas e pela comunidade."

"Juntos, eles viveram uma vida honesta e trabalhadora em Bondi, tratando a todos com gentileza, carinho e respeito. Boris e Sofía eram dedicados à família e um ao outro. Eles eram o coração da nossa família e sua ausência deixou um vazio imensurável."

'Um herói'

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Testemunhas descreveram Boris Gurman como um "herói".

A dona do veículo cuja câmara registrou o vídeo disse à agência Reuters que Gurman "não fugiu, mas avançou diretamente contra o perigo, usando toda sua força para tirar a arma e lutar até o fim".

"Pude ver na câmera quando ele foi atingido pelos tiros e caiu. Isso partiu meu coração", afirmou.

Outra pessoa que disse ter presenciado a ação disse a 9News: "Ele foi um herói. Tentou fazer algo. Sua família precisa saber o que ele fez."

"Todos precisam saber o que ele tentou fazer, porque foi no começo. Ele se colocou na frente dos tiros quando as balas estavam voando."

A polícia classificou o ataque como um um incidente terrorista contra a comunidade judaica.

Entre as vítimas mortas no tiroteio também estão uma menina de 10 anos, um rabino britânico, um policial aposentado, e um sobrevivente do Holocausto.

Além disso, 22 pessoas permanecem hospitalizadas, nove delas em estado crítico.

No início desta semana, outra testemunha, Ahmed al-Ahmed, de 43 anos, também foi considerado um herói após desarmar um dos agressores. Ele foi baleado várias vezes, mas sobreviveu e passou por cirurgia.

Seu pai disse à BBC que o filho agiu consciente ao ver as vítimas, o sangue e as mulheres e crianças caídas na rua.

Homem olhando flores

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, O ataque causou choque em toda a comunidade judaica australiana

A polícia informou que o ataque foi realizado por Sajid Akram, de 50 anos, e seu filho Naveed Akram, de 24 anos.

Já Sajid Akram foi encontrado morto no local no domingo, segundo as autoridades.

A polícia afirmou que os dois viajaram para as Filipinas nas semanas que antecederam o ataque, e está agora investigando o motivo da viagem.

Segundo informações não confirmadas, os dois suspeitos receberam treinamento militar durante estadia no Sudeste Asiático.

Eles viajaram em 1º de novembro e retornaram em 28 de novembro, conforme confirmado à BBC pelo escritório de imigração do país.

As autoridades também observaram que os dois suspeitos do ataque pareciam ter sido motivados pela ideologia do Estado Islâmico (EI) e encontraram bandeiras "caseiras" do grupo e dispositivos explosivos improvisados ​​no veículo usado pelos atiradores.