Como o Comando Vermelho se expandiu pelo Brasil
A ação policial mais letal da história do Rio de Janeiro ocorreu na terça-feira (28/10) nos complexos do Alemão e Penha, na capital fluminense.
Mais de 80 pessoas foram presas e 121 mortes foram confirmadas oficialmente pela polícia durante a Operação Contenção, que teve como objetivo conter a expansão da facção do Comando Vermelho (CV) para outras regiões do país.
O CV é a maior facção do Rio de Janeiro e tenta atrair criminosos de outros Estados pra rivalizar com O PCC paulista, com quem disputa o posto de maior facção do Brasil.
"O Comando Vermelho, ao longo dos últimos, vem tentando recuperar o espaço que perdeu pro PCC. O PCC cresceu nacionalmente e o Comando Vermelho contra-atacou fazendo parcerias com facções dos Estados, basicamente citando facções locais em vários outros estados do país", explica Rafael Soares, autor do livro ‘Milicianos’ e repórter do jornal O Globo.
O CV nasceu dentro do sistema prisional do Rio de Janeiro em 1979 sob o lema “Paz, Justiça e Liberdade”.
A facção foi criada no presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande, por integrantes da antiga Falange Vermelha que lutavam pelo fim da tortura e por melhores condições.
Mas, com o tempo, o CV se transformou em uma organização criminosa com foco no tráfico de drogas, se expandindo nacionalmente e com ramificações em diversos estados. Levantamento recente mostra que o CV está presente em 26 entes federados no Brasil.
Pelo menos 30 suspeitos presos na operação de terça-feira eram do Pará. Dois dos suspeitos mortos eram da Bahia e do Espírito Santo.
"O Comando Vermelho funciona como se fossem franquias. É uma sociedade entre donos de morros", destaca Soares.
Neste vídeo, o repórter Vitor Tavares explica como o Comando Vermelho apostou em uma estrutura menos centralizada para ganhar espaço nacionalmente e porque o Rio de Janeiro tem sido usado como abrigo para chefes do tráfico de outros Estados.
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