'Todas as vezes que ministros do STF deram decisões esdrúxulas ou duvidosas, Fachin silenciou'
A aprovação de um código de ética para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), proposta pelo presidente da Corte, Edson Fachin, pode não surtir o efeito esperado de melhorar a opinião pública sobre o Tribunal.
É o que avalia a jurista e ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon, à BBC News Brasil.
“Não se faz um código de ética em um momento em que a magistratura está em crise. O momento é absolutamente inoportuno, quando a sociedade brasileira está em chamas contra o Poder Judiciário”, diz Calmon, que também atuou como corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
“Se aprovado, será um código que não vai servir para, anos depois, ser aplicado. Ou estará de menos, ou demais.”
A ex-ministra teve um mandato marcado por críticas ao Judiciário. Em uma de suas declarações mais conhecidas, em 2011, enquanto corregedora, chegou a se referir a juízes como "bandidos que estão escondidos atrás da toga".
Para Calmon, Fachin “perdeu credibilidade” para aprovar um código de ética por ter legitimado atitudes de seus pares no Supremo que vêm sendo criticadas ou silenciado a esse respeito.
"Todas as vezes que seus colegas magistrados do STF deram decisões esdrúxulas ou duvidosas, ele silenciou e coonestou. E de repente, ele surge com um código de ética de forma que ele não fez aquilo que é uma trajetória de conduta capaz de ser absolvido pela sociedade brasileira", afirmou.
Assista a um trecho da entrevista no vídeo.
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