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Trump diz estar aberto a reduzir tarifas do Brasil 'diante das circunstâncias certas'
- Author, André Biernath*
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Tempo de leitura: 4 min
Donald Trump confirmou que deve se encontrar com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante uma rápida conversa que teve com jornalistas na noite de sexta-feira (24/10).
O presidente dos Estados Unidos também mostrou estar aberto a reduzir as tarifas impostas sobre o Brasil nos últimos meses.
A entrevista com repórteres aconteceu no Air Force One, o avião presidencial americano, que estava a caminho da Malásia, onde Trump participará de uma cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
O presidente do Brasil também estará no evento e algumas informações indicavam que ele poderia aproveitar a ocasião para se encontrar com Trump para uma negociação sobre as tarifas e as sanções.
Questionado por um jornalista se esse encontro estava confirmado, Trump disse acreditar que a reunião com Lula deve acontecer.
"Nós nos encontramos brevemente durante a Assembleia Geral das Nações Unidas", lembrou o presidente americano.
Quando perguntado se estaria aberto a rever e reduzir as tarifas sobre o Brasil, Trump respondeu: "Sim, diante das circunstâncias certas."
Horas depois, Lula afirmou a repórteres em frente ao hotel onde está hospedado que vê a possibilidade da reunião "com otimismo" para "encontrar uma solução".
"Não tem exigência dele e não tem exigência minha ainda, vamos colocar na mesa os problemas e tentar encontrar uma solução", disse o presidente brasileiro
"Então pode ficar certo que vai ter uma solução", complementou ele.
O que esperar de encontro entre Lula e Trump
Há uma possibilidade cada vez mais real de que um encontro cara a cara entre Trump e Lula aconteça às margens da cúpula da Asean, em Kuala Lumpur.
Os dois líderes se cruzaram brevemente durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em setembro, e Washington e Brasília vêm mantendo contato próximo desde então.
A reunião na Malásia, porém, deve ser o primeiro encontro presencial formal entre os chefes de Estado desde a implementação de tarifa de 50% sobre a maioria dos produtos exportados pelo Brasil em agosto e a consequente deterioração das relações entre os dois países.
Além das tarifas, o USTR, escritório do representante comercial dos EUA, abriu em julho uma investigação contra o governo brasileiro por supostas práticas desleais de comércio.
A Casa Branca também adotou restrições de vistos a autoridades brasileiras e sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A reunião bilateral com Trump ainda não foi confirmada oficialmente, mas a expectativa é que o encontro aconteça no domingo (26/10), às margens da cúpula da Asean.
Mesmo com a perspectiva de um encontro para tentar selar a paz, os dois líderes têm dado sinais de que não pretendem recuar de suas posições.
Na quarta-feira (22/10), Trump afirmou que os pecuaristas americanos "estão indo bem" graças à tarifa imposta sobre o gado de outros países, como o Brasil.
"Os pecuaristas, que eu adoro, não percebem que a única razão pela qual estão indo tão bem — pela primeira vez em décadas — é porque impus tarifas sobre o gado que entra nos Estados Unidos, incluindo uma tarifa de 50% sobre o Brasil", escreveu em sua rede social.
O republicano acrescentou que, se não fosse por ele, os criadores de gado americanos "estariam na mesma situação dos últimos 20 anos", que classificou como "péssima".
Já Lula, na quinta-feira (23/10), voltou a defender alternativas ao dólar no comércio global.
Durante a visita que faz à Indonésia, o presidente afirmou que tanto o Pix quanto o sistema de pagamentos indonésio têm potencial para facilitar o intercâmbio entre os dois países e entre os membros do Brics.
"O século 21 exige que tenhamos a coragem que não tivemos no século 20", disse Lula, ao defender "uma nova forma de agir comercialmente, para não ficarmos dependentes de ninguém", sem citar diretamente os Estados Unidos.
A defesa de moedas alternativas à americana, reforçada pelo Brasil durante a cúpula dos Brics em julho, foi apontada por Trump como um dos motivos para a imposição das tarifas às exportações brasileiras.
Para especialistas, a recente ligação entre Trump e Lula e o primeiro encontro entre os chanceleres do Brasil e dos EUA realizado em Washington na semana passada são indícios de que há espaço para um diálogo pragmático, mesmo com divergências ideológicas.
*Com reportagem de Julia Braun, da BBC News Brasil em Londres, e Mariana Schreiber, da BBC News Brasil em Brasília