Carro de Daniel Noboa, presidente do Equador, é atacado; o que se sabe

Noboa discursando no microfone com trajes típicos

Crédito, EPA

Legenda da foto, Noboa em foto de setembro; presidente do Equador está bem e seguiu com sua agenda, disse ministra
  • Tempo de leitura: 3 min

O governo do Equador afirmou nesta terça-feira (07/10) que o presidente do país, Daniel Noboa, foi alvo de uma "tentativa de assassinato" na província de Cañar.

A ministra de Energia e Minas, Ines Manzano, afirmou que Noboa está bem e segue sua agenda com "normalidade". Segundo ela, o carro onde o presidente estava foi atacado por cerca de 500 pessoas com pedras.

"Também há marcas de tiros no carro do presidente", afirmou Manzano à imprensa local.

Ainda de acordo com ela, cinco pessoas já foram detidas pela ocorrência e outras foram denunciadas. O governo afirmou que os presos responderão pelos crimes de terrorismo e tentativa de assassinato.

A BBC não conseguiu confirmar de forma independente que tiros realmente foram disparados contra o carro.

Noboa se dirigia ao local para anunciar obras de saneamento

A Presidência do país postou em suas redes sociais um vídeo filmado dentro de um carro apedrejado por pessoas que estão fora, algumas segurando bandeiras do Equador.

A organização indígena Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) afirmou que houve "violência orquestrada" contra a "população mobilizada" no local, onde manifestantes aguardavam a caravana presidencial para protestar contra Noboa.

Segundo a CONAIE, a maior organização indígena do país, houve "brutal ação policial e militar" contra os manifestantes.

"Denunciamos que ao menos cinco companheiros foram detidos de forma arbitrária. Entre os agredidos, estão mulheres de terceira idade", disse a organização na rede social X.

Em setembro, a CONAIE convocou por tempo indeterminado uma grave nacional contra cortes no subsídio ao diesel e outras pautas.

A organização liderou manifestações que derrubaram três presidentes entre 1997 e 2005.

Conflitos no fim de setembro

Mulher levanta cartaz que diz 'terrorista é quem dispara contra seu povo'; na frente dela, militares fortemente armados

Crédito, EPA

Legenda da foto, Organizações sociais têm alegado que policiais e militares estão abusando de sua força
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O governo já havia relatado que uma caravana liderada por Noboa, que levava ajuda à província de Imbabura, foi atacada em meio a protestos em 28 de setembro.

Diplomatas da União Europeia e das Nações Unidas estavam no grupo.

O embaixador da Itália em Quito, Giovanni Davoli, confirmou o ataque na ocasião.

Em um comunicado, Davoli afirmou que não sofreu ferimentos e condenou "veementemente este ato terrorista contra o chefe de Estado do Equador".

A porta-voz do governo Carolina Jaramillo afirmou que o comboio presidencial estava levando ajuda a comunidades afetadas pela greve quando foi cercada por aproximadamente 350 pessoas munidas de coquetéis Molotov.

Noboa mostrou em suas redes sociais fotos de para-brisas e janelas quebradas nos carros.

As forças armadas equatorianas acusaram manifestantes de ferir 12 soldados e manter outros 17 reféns.

A CONAIE afirmou, por sua vez, que um indígena, Efraín Fuerez, foi baleado três vezes e morreu no hospital.

A organização afirmou que tratou-se de uma "crime de Estado, perpetrado sob as ordens de Daniel Noboa".

Em outra publicação nas redes sociais, a CONAIE negou que houvesse entre os manifestantes terroristas ou criminosos e afirmou que "o verdadeiro terror é imposto pelo governo com sua repressão".

O presidente equatoriano já acusou a gangue venezuelana Tren de Aragua de estar por trás das manifestações e disse que o país estava enfrentando "atos de terrorismo disfarçados de protestos".

Noboa foi reeleito em abril após um primeiro mandato marcado pela guerra às gangues, com forte uso das forças armadas e policiais — e denúncias de violações aos direitos humanos.

Ele teve um primeiro mandato curto por ter sido eleito para terminar o mandato de Guillermo Lasso, que dissolveu a Assembleia Nacional e convocou eleições antecipadas em meio a um processo de impeachment sob acusação de corrupção.

*Com informações de Ione Wells, correspondente da BBC News na América do Sul, e Ottilie Mitchell, da BBC News