'Economistas de hoje diriam que o Brasil quebraria se a escravidão acabasse'
O fim da escala 6X1, regime em que o funcionário trabalha seis dias da semana e tem apenas um dia de descanso, pode ser votado ainda este ano no Congresso.
No ínicio desta semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a pauta será uma das prioridades deste ano.
A sinalização foi celebrada por muitos parlamentares, mas para um, em especial, que não exerce o mandato em Brasília, mas na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, essa notícia tem um significado ainda maior.
Trata-se de Rick Azevedo (PSOL), ex-balconista de farmácia, que viralizou no TikTok desabafando sobre sua rotina de trabalho de escala 6X1.
Em 2024, foi eleito o vereador mais votado do PSOL no Rio de Janeiro.
Azevedo é um dos principais rostos da mobilização contra esse modelo de trabalho. Ele criou uma petição que já reúne quase 3 milhões de assinaturas e ajudou a fundar, ao lado de outros trabalhadores, o movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
Em entrevista à BBC News Brasil, o vereador afirmou estar confiante na aprovação da proposta ainda no primeiro semestre, apesar de pesquisas indicarem que os parlamentares estão divididos sobre o tema.
Pesquisas Genial/Quaest publicadas em dezembro mostraram que, embora 72% da população seja a favor do fim da escala 6x1, entre os deputados, apenas 42% são favoráveis e 45% são contra — os outros 13% não opinaram ou não responderam.
A bancada contrária já foi maior, era de 70% em julho de 2025, segundo o mesmo instituto.
Ainda assim, Azevedo se diz confiante na aprovação da pauta. "Eles são lobistas, são escravocratas, mas precisam do voto do povo", afirma.
O vereador também criticou economistas e empresários que têm se posicionado contrários ao fim da escala 6x1, argumentando que será um "tiro no pé" da economia.
"Se eu estivesse falando para você aqui agora, 'vamos acabar com a escravidão no país', os economistas de hoje iriam falar a mesma coisa: que o país não tem estrutura para acabar com a escravidão, que o país ía quebrar", diz Azevedo.
"O 13º [salário], a mesma coisa. Férias remuneradas, a mesma coisa. Licença maternidade também. Direitos para empregadas domésticas? 'Não podemos. O país vai quebrar'", afirma.
"Eles querem causar esse pânico econômico para continuar sugando o trabalhador seis dias na semana, para apenas um dia de folga, e receber um salário que muitas vezes não dá nem para comer."
Confira um trecho da entrevista no vídeo.



