Por que Biden retirou Cuba da lista americana de países que patrocinam o terrorismo

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, retirará Cuba da lista americana de países que patrocinam o terrorismo, segundo informaram nesta terça-feira (14/01) funcionários da Casa Branca.

A medida faria parte de um acordo mediado pela Igreja Católica segundo o qual o governo cubano, liderado pelo presidente Miguel Díaz-Canel, liberaria manifestantes presos durante a onda de protestos na ilha em meados de 2021, de acordo com informações publicadas pela imprensa americana.

O governo Biden justificou sua decisão dizendo que Cuba "não prestou qualquer apoio ao terrorismo internacional nos últimos 6 meses" e "deu garantias de que não apoiará atos de terrorismo internacional no futuro", segundo declaração oficial.

Com a saída de Cuba, apenas três países permanecem na lista: Coreia do Norte, Irã e Síria.

Washington proíbe países que considera patrocinadores do terrorismo de exportar ou vender armas, e a assistência econômica a eles é restringida. Além disso, essas nações não podem pegar empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) ou de outras instituições globais.

Cuba esteve nesta lista de 1982 a 2015 por supostamente abrigar membros de grupos considerados terroristas pelos EUA, como o ETA na Espanha ou as Farc colombianas.

Mas Donald Trump, poucos dias antes do final da sua primeira presidência, voltou a incluir o país caribenho nela. O republicano argumentou que Cuba tinha se recusado a extraditar membros do Exército de Libertação Nacional (ELN) da Colômbia, que era aliada do regime venezuelano de Nicolás Maduro e que dava asilo a fugitivos americanos.

Biden está em seus últimos dias na Casa Branca, já que a posse de Trump para um segundo mandato está prevista para 20 de janeiro.

Medida inesperada e frágil

A decisão de Biden surpreendeu, uma vez que o seu governo não só não relaxou medidas contra Cuba impostas anteriormente por Trump como impôs novas sanções a membros do regime de Díaz-Canel, devido a episódios de repressão nas manifestações de 2021.

Nas últimas semanas, o governo cubano intensificou a sua campanha para que Washington retirasse a ilha da lista — algo que ativistas e organizações de direitos humanos também vinham pedindo, já que seus efeitos afetam cidadãos comuns.

A presença na lista aprofundava as consequências do embargo econômico contra Cuba em vigor desde a década de 1960.

A ilha vive uma profunda crise econômica, com escassez de quase todos os produtos. Nos últimos três anos, isso intensificou o êxodo migratório para outros países, como os Estados Unidos e Espanha.

Após assumir a Casa Branca, Donald Trump deverá tentar reverter a decisão de Biden e reintroduzir o país caribenho na lista de patrocinadores do terrorismo.

Trump nomeou como secretário de Estado Marco Rubio, filho de emigrantes cubanos vivendo na Flórida e conhecido por defender políticas de linha dura contra o regime cubano.