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Como são os aviões com padrão da Otan que Embraer quer produzir em Portugal
- Author, Luís Barrucho
- Role, Enviado especial da BBC News Brasil a Lisboa
A Embraer vai produzir em Portugal uma versão do A-29 Super Tucano, um avião de ataque leve, para atender aos requisitos operacionais da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a aliança militar ocidental.
A parceria consta de um memorando assinado pelos governos brasileiro e português durante a cúpula Brasil-Portugal, ocorrida no último sábado (22/4).
Nesta segunda-feira (24/4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visita nos arredores de Lisboa a sede da OGMA, empresa aeroespacial portuguesa da qual a Embraer detém 65% do capital e que fabricará o avião.
Mas como é essa aeronave e por que ela será produzida em Portugal?
O A-29N é uma versão do A-29 Super Tucano com equipamentos e funcionalidades na configuração da Otan e havia sido lançado pela Embraer no dia 12 de abril.
O objetivo, segundo a Embraer, é atender às necessidades de nações da Europa — a empresa quer se aproveitar do aumento dos gastos de defesa desses países por medo da Rússia após a invasão à Ucrânia.
Entre as funcionalidades, estão um novo datalink (tecnologia que permite a troca de informações simultâneas entre a aeronave, outra aeronave ou uma base no solo) e o single-pilot operation (quando apenas um piloto comanda o avião).
Conhecido por sua versatilidade, o A-29 Super Tucano pode ser usado para ataque leve, vigilância e interceptação aérea e contra-insurgência. Além disso, consegue operar a partir de pistas remotas e não pavimentadas em bases operacionais avançadas com pouco apoio logístico, segundo a Embraer.
O avião tem preço estimado inicial de US$ 10 milhões (R$ 50 milhões), mas o valor sobe dependendo da configuração.
Tem velocidade máxima de 590 km por hora e pode alcançar uma altitude de 35 mil pés.
Além das funções de combate, a aeronave é amplamente utilizada como treinador avançado, devido à sua capacidade de simular missões de combate.
Segundo a Embraer, o avião é equipado com sensores e armas de última geração, incluindo um sistema eletro-óptico/infravermelho com designador de laser, óculos de visão noturna, comunicações seguras de voz e dados.
Já foram entregues 260 unidades do A-29 Super Tucano em todo o mundo. Atualmente, a aeronave é usada por 15 diferentes forças aéreas, incluindo a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF).
Na sexta-feira (22/4), em entrevista a jornalistas, o ministro da Defesa, José Múcio, disse que a certificação dos aviões da empresa pela Otan pode abrir portas no mercado europeu e outros.
Segundo ele, a produção em Portugal é "importante porque já cumpre os pré-requisitos da Otan".
"Vamos fabricar aeronaves brasileiras com características da Otan", disse Múcio, que integra a comitiva de ministros do presidente Lula em visita oficial a Portugal.
Em 2019, o governo português disse que compraria cinco aeronaves de transporte militar KC-390 da Embraer e um simulador de voo por 827 milhões de euros. Países como Suécia e Colômbia recentemente também manifestaram interesse em comprá-lo.
Segundo a agência de notícias Reuters, a Áustria está em negociações com a Embraer para a compra de quatro ou cinco aeronaves de carga militar KC-390.
Na sexta-feira, Múcio disse que a Embraer quer exportar o KC-390 para mais países europeus.
"O presidente (Lula) quer incentivar a indústria de defesa brasileira e aumentar os investimentos no setor", disse Múcio.
Já o primeiro-ministro português, António Costa, disse no sábado (22/4) que o A-29 Super Tucano "passará a ser adaptado para os padrões da Otan. E Portugal passará a acolher todo o processo de formação de pilotos na Europa e na África para este caça brasileiro".