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Idalia: furacão 'devastador' chega à Flórida
- Author, Gareth Evans
- Role, BBC News
O furacão Idalia chegou à Flórida nesta quarta-feira (30/8), com ventos de até 201 km/h e condições potencialmente fatais.
O governador do Estado, Ron DeSantis, disse que tempestades são esperadas em algumas áreas, à medida que ventos fortes empurram a água do mar para a região costeira.
Algumas áreas já estão sofrendo com inundações. Nesses locais, a água na altura dos joelhos cobriu estradas e inundou cidades.
Mais de 30 mil funcionários estão de prontidão para ajudar a restaurar a energia após a tempestade. DeSantis também pediu que as pessoas tenham cuidado com fios de eletricidade rompidos. Cerca de 169 mil pessoas estão sem luz no Estado.
Dos 67 condados da Flórida, 28 estão sob algum tipo de ordem de evacuação, principalmente ao longo da parte superior da costa do Golfo.
Mais cedo, o furacão chegou a subir para a categoria 4, com ventos de até 209 km/h. Pouco depois, ele caiu para a categoria 3.
As diretrizes do Centro Nacional de Furacões (NHC) dos EUA dizem que as tempestades de categoria 3 provavelmente causarão danos “devastadores”, incluindo problemas estruturais em casas, árvores arrancadas e estradas bloqueadas.
Chuvas fortes e ventos fortes também são esperados na Carolina do Norte, na Carolina do Sul e na Geórgia.
O Serviço Meteorológico Nacional em Tallahassee chamou Idalia de “um evento sem precedentes”, porque nenhum grande furacão jamais passou por essa área.
“Embora Idalia deva enfraquecer após a chegada ao continente, é provável ela que ainda seja um furacão enquanto se move pelo sul da Geórgia e da Carolina do Sul na noite de hoje”, complementou o NHC.
O furacão deve sair da costa sudeste dos EUA na manhã de quinta-feira (31/8) e mover-se para leste no final da semana, previu o órgão.
Temporada intensa
A temporada deste ano de furacões no Atlântico deve ser mais ativa do que a média, mesmo duas semanas antes do pico desses eventos.
O principal fator determinante é que os oceanos estão muito mais quentes do que a média — e a temperatura elevada alimenta o desenvolvimento de furacões.
Idalia representa de longe a maior ameaça de todas as tempestades até agora nesta temporada, segundo especialistas.
Uma das principais preocupações é que as temperaturas da água no Golfo do México estão acima do normal, especialmente perto da costa dos EUA, onde as medições apontam entre 2 e 3 °C a mais do que a média histórica.
Isto levará à rápida intensificação de Idalia perto da Flórida, com a previsão de ventos de mais de 200 km/h.
Por conta das previsões, dezenas de aeroportos na Flórida foram fechados.
O Aeroporto Internacional de Tampa parou de funcionar na terça-feira (29/8) e permanecerá paralisado até que seja possível avaliar qualquer dano no final da semana.
O segundo maior aeroporto da Flórida, em Orlando, divulgou que não prevê nenhum “impacto significativo” nas operações.
Em comunicado, os responsáveis pelo aeroporto acrescentaram que atrasos e cancelamentos de voos são prováveis por causa das chuvas e ventos fortes.
Mobilização
A Flórida recrutou mais de 5,5 mil guardas nacionais e até 40 mil eletricistas estão de prontidão para enfrentar os cortes de energia.
Em 2022, o furacão Ian atingiu o sudoeste do Estado, causando mais de 100 bilhões de dólares em danos e matando mais de 100 pessoas.
“Haverá destruição de casas, lares e estruturas”, disse David DeCarlo, diretor do Gerenciamento de Emergências do Condado de Hernando.
“Esta será uma tempestade com impacto na vida.”
Na segunda-feira (28/8), o Idalia atingiu a costa ocidental de Cuba, onde dezenas de milhares de pessoas deixaram suas casas devido a inundações e ventos fortes.
Os moradores fecharam os imóveis e protegeram os barcos de pesca, enquanto as enchentes marrons inundaram a pequena vila de pescadores de Guanimar, ao sul de Havana, no meio da tarde.
"Já tivemos dois dias de chuva", disse Yadira Alvarez, de 34 anos, à Reuters na segunda-feira. Ela disse que a água da chuva já havia chegado à altura dos joelhos dentro da casa dela.
Muito a leste de Idalia, Franklin, o primeiro grande furacão da temporada, poderá causar tempestades à costa leste dos EUA e às Bermudas.
Na tarde de terça-feira (29/8), no horário local, o olho do Franklin estava a oeste das Bermudas, movendo-se para nordeste a uma velocidade máxima de 209 km/h. O caminho atual dele desvia de qualquer grande massa terrestre, com a tempestade se movendo para o leste da América do Norte.
O impacto das mudanças climáticas na frequência das tempestades tropicais ainda não é claro, mas o aumento da temperatura da superfície do mar aquece o ar e disponibiliza mais energia para impulsionar os furacões.
Como resultado, é provável que eles sejam mais intensos, com chuvas mais extremas.
De acordo com o jornalista Carl Nasman, da BBC, não houve um aumento no número de furacões que atingiram a costa dos Estados Unidos nos últimos anos, mas o aquecimento dos oceanos levou à formação de tempestades mais poderosas sobre o Atlântico.
Segundo Carl Nasman, o número de furacões de categorias 3, 4 e 5, considerados os mais devastadores, estão aumentando.
"Em 2015, o Furacão Katrina, que atingiu o Estado americano de Luisiana em 2005 como um furacão de categoria 3, deixou 1.200 pessoas mortas. Ele deixou centenas de milhares de pessoas desabrigadas e causou um prejuízo de mais de 125 bilhões de dólares", afirmou.
Segundo o jornalista, na época o furacão foi considerado como um evento que acontece uma vez no século. No entanto, entre 2016 e 2018, os Estados Unidos foram atingidos por outros seis furacões ainda maiores.
"O que deu mais força ao Katrina e outros furacões foi o aquecimento das águas dos oceanos. Conforme os oceanos esquentam, os furacões ganham mais energia e se tornam mais devastadores", diz Nasman.
Na Casa Branca, o presidente Joe Biden disse que garantiu ao governador da Flórida, Ron DeSantis, num telefonema na segunda à noite, que seu Estado obterá toda a ajuda necessária.
“Estamos preocupados com a onda oceânica”, disse Biden aos repórteres antes de uma reunião bilateral com o presidente da Costa Rica.
Ele disse que a equipe dele monitora o trajeto do Idália “hora a hora”.
“Estaremos lá o tempo que for necessário e garantiremos que eles tenham tudo o que precisam”, acrescentou.