Coreia do Sul chega a acordo para libertar centenas de trabalhadores sul-coreanos presos nos EUA

Crédito, Reuters
- Author, Paulin Kola
- Role, BBC News
- Tempo de leitura: 3 min
O governo da Coreia do Sul afirma ter chegado a um acordo com os Estados Unidos para libertar seus cidadãos detidos em uma grande operação do serviço de imigração americano em uma fábrica da Hyundai na Geórgia.
O chefe de gabinete do presidente da Coreia do Sul disse no domingo (7/9) que um avião fretado será enviado aos EUA para trazer os detidos de volta para casa quando os procedimentos administrativos forem concluídos.
Kang Hoon-sik disse ainda que as autoridades estão tentando aprimorar o sistema de vistos para evitar incidentes semelhantes no futuro.
Na quinta-feira (4/9), autoridades americanas detiveram 475 pessoas – a maioria cidadãos sul-coreanos – que, segundo elas, estavam trabalhando ilegalmente na fábrica de baterias, um dos maiores projetos de investimento estrangeiro no Estado.
A Casa Branca defendeu a operação, descartando preocupações de que a operação pudesse dissuadir o investimento estrangeiro.
"Eles eram imigrantes ilegais e o ICE [Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos] estava apenas fazendo seu trabalho", disse na sexta-feira (5/7) o presidente Donald Trump, após as operações.
Um vídeo divulgado por autoridades do ICE mostrou trabalhadores asiáticos algemados em frente a um prédio, alguns usando coletes amarelos com inscrições como "Hyundai" e "LG CNS".
"Pessoas com vistos de curta duração ou recreativos não estão autorizadas a trabalhar nos EUA", afirmou o ICE, acrescentando que a operação seria necessária para proteger empregos americanos.
"Esta operação envia uma mensagem clara de que aqueles que exploram o sistema e minam nossa força de trabalho serão responsabilizados", disse o agente especial Steven Schrank, do Departamento de Investigações de Segurança Interna (HSI), em um comunicado no sábado.
A Coreia do Sul, aliada próxima dos EUA, prometeu dezenas de bilhões de dólares em investimentos na indústria manufatureira americana, em parte para compensar ameaças tarifárias por parte do governo de Donald Trump.
O momento da operação, enquanto os dois governos se envolvem em negociações comerciais delicadas, gerou preocupação em Seul.
Trump incentivou ativamente grandes investimentos de outros países, ao mesmo tempo em que restringiu a concessão de vistos para empresas estrangeiras.

Crédito, Getty Images
Agora você pode receber as notícias da BBC News Brasil no seu celular.
Clique para se inscrever
Fim do Whatsapp!
A LG Energy Solution, que opera a unidade fabril com a Hyundai, diz que muitos dos funcionários da LG presos estavam em viagens de negócios com vistos diversos ou sob um programa de isenção de visto.
A empresa informou que suspendeu a maioria das viagens de negócios aos EUA e orientou seus funcionários em missão ao país a retornarem para casa imediatamente.
A imprensa sul-coreana descreveu amplamente a operação como um "choque", com o jornal Dong-A Ilbo alertando que isso poderia ter "um efeito inibidor sobre as atividades de nossos negócios nos Estados Unidos".
A fábrica, que produz veículos elétricos, havia sido elogiada pelo governador republicano da Geórgia como o maior projeto de desenvolvimento econômico da história do Estado, empregando 1.200 pessoas.
Os trabalhadores presos estão detidos em uma instalação do ICE em Folkston, Geórgia, até que a agência decida para onde transferi-los.
A LG Energy Solution disse que 47 de seus funcionários e cerca de 250 trabalhadores contratados na fábrica da joint venture foram detidos.















