A mulher condenada por matar três parentes com cogumelos venenosos na Austrália

Crédito, AFP vía Getty Images
- Author, Tiffanie Turnbull
- Role, BBC News
- Reporting from, Sídney
- Author, Katy Watson e Simon Atkinson
- Role, BBC News
- Reporting from, Melbourne
- Tempo de leitura: 4 min
A australiana Erin Patterson foi condenada na segunda-feira (8/9) à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional por 33 anos pelo assassinato de três familiares a quem ela deu cogumelos venenosos para comer.
Durante a audiência, Patterson não demonstrou nenhuma emoção, mas arregalou os olhos ao se levantar para ouvir a sentença.
Por cada um dos três assassinatos, Patterson recebeu prisão perpétua.
Além disso, ela recebeu uma pena de 25 anos pela tentativa de homicídio de uma quarta vítima.
As quatro sentenças serão cumpridas simultaneamente, e ela poderá ter direito à liberdade condicional em 2056, aos 83 anos.
Em julho, a mulher de 50 anos foi considerada culpada pelo assassinato de Don e Gail Patterson, pais de Simon Patterson, seu ex-companheiro, e Heather Wilkinson, irmã de Gail, com cogumelos letais escondidos em um prato de filé Wellington.
Ela também tentou matar Ian Wilkinson, marido de Heather, mas não conseguiu.
Na audiência desta segunda-feira, o juiz Christopher Beale detalhou algumas das circunstâncias agravantes que considerou em sua sentença.
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Em primeiro lugar, afirmou que houve um planejamento substancial na execução dos assassinatos.
Patterson tinha convidado Simon, seus pais e seus tios para um almoço — algo "inusitado" — e "fez isso com a intenção de matar a todos".
Mesmo quando os convidados do almoço estavam no hospital, ela não colaborou para tentar salvá-los, disse Beale.
Segundo o magistrado, a tripla assassina poderia ter dito ao pessoal do hospital que havia colhido cogumelos, mesmo sem admitir que os havia colhido intencionalmente, para que os médicos pudessem ter iniciado o tratamento adequado mais cedo.
"Nunca saberemos se revelar o uso dos cogumelos coletados teria feito diferença", disse Beale.
"Sua falta de remorso jogou sal nas feridas de todas as vítimas", declarou. "Há uma grande indignação pela insensibilidade de suas ações".
Ian Wilkinson, o tio sobrevivente, ofereceu a Erin Patterson "perdão pelo dano" que lhe causou e acrescentou que desejava que ela confessasse e se arrependesse.
"Essa oferta de perdão lhe dá uma oportunidade", disse o juiz à agressora. "Você faria bem em aceitá-la da maneira que ele sugere."
Mas Patterson manteve o discurso de inocência. "Em outras palavras, não há evidência de remorso", observou o juiz.
A possibilidade de liberdade condicional
Há duas semanas, muitas das vítimas dos seus crimes prestaram depoimentos contundentes perante o tribunal, enquanto a acusação pressionava para que a tripla assassina fosse condenada à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
O juiz Beale ponderou sua decisão desde então.
Embora concordasse com os promotores que esses crimes eram os piores, ele afirmou que sua decisão de conceder liberdade condicional se deveu, em última instância, às condições extremamente difíceis que Patterson enfrentaria na prisão.
"Há uma grande probabilidade de que, para sua proteção, ela continue presa em uma solitária durante anos", declarou, destacando sua "notoriedade" entre a população carcerária.
"As duras condições prisionais que ela já experimentou são considerações importantes e graves que devem ser levadas em conta na sentença", disse ele. Patterson está presa há 15 meses.
"Na minha opinião, a única forma de elas serem consideradas é estabelecendo um período sem liberdade condicional", afirmou.
Patterson, que se descreveu como uma amante de cogumelos e colhedora amadora, declarou perante o tribunal que tudo não passou de um trágico acidente.

Crédito, Getty Images
A agressora negou ter colhido cogumelos tóxicos, ter jogado fora um desidratador de alimentos nas horas seguintes ao almoço fatal e ter mentido à polícia sobre uma longa lista de coisas.
A investigação descobriu que ela jogou fora os pratos que usou para servir o almoço, embora a polícia nunca os tenha encontrado.
Durante nove semanas, o júri ouviu provas que sugeriam que ela havia colhido os cogumelos em vilarejos próximos e atraído suas vítimas para a refeição fatal sob o falso pretexto de que tinha câncer, antes de tentar ocultar seus crimes mentindo para a polícia e descartando as provas.
Após conhecer a sentença, Wilkinson falou publicamente pela primeira vez em dois anos e agradeceu à polícia.
"Eles trouxeram à tona a verdade sobre o que aconteceu a três pessoas boas", disse ele.
Em seguida, elogiou os esforços da promotoria, que, segundo ele, trabalhou incansavelmente para levar adiante o caso e o ajudou a navegar pelo sistema judicial.
"Os processos judiciais são um pouco confusos para pessoas comuns como eu, e estamos gratos", afirmou, pela "gentileza e compaixão ao longo deste longo processo".
Ele também elogiou a equipe médica que cuidou do caso e salvou sua vida.















