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Fumaça branca surge no segundo dia de conclave: entenda a escolha de Prevost
- Author, Daniel Gallas e João da Mata
- Role, Enviados da BBC News Brasil ao Vaticano
- Tempo de leitura: 7 min
O novo papa é Robert Prevost, dos Estados Unidos, e escolheu o nome Leão 14. O novo pontífice da Igreja Católica foi definido na tarde desta quinta-feira (8/5) após a quarta votação do conclave, quando a fumaça branca anunciando a escolha foi vista saindo da chaminé da Basílica de São Pedro.
Os 133 cardeais da Igreja Católica reunidos na Capela Sistina fizeram a escolha no segundo dia de conclave.
Os cardeais estavam sem contato com o mundo exterior e permaneceram isolados até escolherem o seu novo líder.
Este é o terceiro conclave deste século — depois do de 2005, que elegeu Bento 16, e do 2013, que elegeu Francisco.
Confira abaixo os detalhes do conclave:
1. Como funciona o conclave?
O conclave é o processo de escolha do líder da Igreja Católica Romana — o Sumo Pontífice.
Qualquer católico batizado pode ser eleito papa.
No entanto, o cargo invariavelmente fica com um dos altos funcionários da Igreja Católica, os cardeais.
São eles que elegem o novo papa.
Existem 252 cardeais em todo o mundo, que normalmente também são bispos. Somente pessoas com menos de 80 anos podem votar em um novo papa.
Atualmente há 135 cardeais com condições para eleger o novo papa, mas apenas 133 irão votar, já que dois alegaram problemas de saúde.
Quando um novo papa precisa ser escolhido, todos os cardeais são convocados ao Vaticano, em Roma, para o conclave papal. Este é um processo eleitoral que se mantém praticamente inalterado há cerca de 800 anos.
2. Quem eram os favoritos?
A eleição do papa é uma das mais imprevisíveis do mundo — e é comum que cardeais apontados como favoritos acabem ignorados. Existe até um ditado entre os católicos: "Quem entra papa, sai cardeal". Ou seja, quem chega ao conclave como favorito acaba não sendo eleito.
Muitos lembram que o cardeal argentino Jorge Bergoglio não estava em nenhuma das listas de favoritos em 2013 — e acabou sendo escolhido como papa Francisco.
Ainda assim, circularam na imprensa mundial os nomes de alguns cardeais apontados como favoritos para o papado e Robert Prevost , americano estava entre os cotados.
Prevost não é visto apenas como um americano, mas também como alguém que presidiu a Pontifícia Comissão para a América Latina. É considerado um reformista, mas, aos 69 anos, pode ser visto como jovem demais para o papado.
Outros nomes que eram mencionados:
- Pietro Parolin (Itália): Cardeal italiano de fala mansa, Pietro Parolin foi secretário de Estado do Vaticano sob o pontificado de Francisco — ou seja, o principal conselheiro do papa. O cargo também o coloca à frente da Cúria Romana, a administração central da Igreja Católica.
- Luis Antonio Gokim Tagle (Filipinas): o filipino tem décadas de experiência pastoral — ou seja, liderou a Igreja diretamente entre o povo, e não como diplomata do Vaticano ou especialista em Direito Canônico. Ele poderia se tornar o primeiro papa asiático.
- Fridolin Ambongo Besungu (Congo): É bastante possível que o próximo papa venha da África, onde a Igreja Católica continua ganhando milhões de fiéis. Um dos principais nomes é o cardeal Ambongo, da República Democrática do Congo (RDC).
- Peter Kodwo Appiah Turkson (Gana): Se for escolhido, o influente cardeal Turkson será o primeiro papa africano em 1,5 mil anos. Primeiro ganês a ser nomeado cardeal, Turkson já era cotado como papável no conclave de 2013. Na época, chegou a ser o favorito nas casas de apostas.
- Peter Erdo (Hungria): Do ponto de vista ideológico, o atual arcebispo de Budapeste, capital húngara, seria uma escolha muito mais conservadora do que foi o último pontificado.
- Angelo Scola (Itália): Apenas cardeais com menos de 80 anos podem votar no conclave, mas Angelo Scola, de 83 anos, ainda pode ser eleito. O ex-arcebispo de Milão era um dos favoritos em 2013, quando Francisco foi escolhido.
- Reinhard Marx (Alemanha): O principal clérigo católico da Alemanha também é bastante próximo dos bastidores do Vaticano. Ele defende uma abordagem mais acolhedora em relação a pessoas homossexuais ou transgênero no ensino da Igreja Católica.
- Marc Ouellet (Canadá): O cardeal Ouellet já foi visto duas vezes como um possível candidato ao papado, em 2005 e 2013. Como outro octogenário, ele não poderá participar diretamente do conclave, o que pode dificultar suas chances.
- Robert Sarah (Guiné): Muito querido pelos conservadores na Igreja, o cardeal Sarah é conhecido por sua firme adesão à doutrina e à liturgia tradicional, sendo frequentemente visto como opositor das inclinações reformistas do papa Francisco.
- Pierbattista Pizzaballa (Itália): Ordenado na Itália aos 25 anos, Pizzaballa mudou-se para Jerusalém no mês seguinte e vive lá desde então. Sua idade relativamente jovem e a pouca experiência como cardeal podem pesar contra ele.
- Michael Czerny (Canadá): O cardeal Czerny foi nomeado cardeal pelo papa Francisco e, assim como ele, é jesuíta — uma das principais ordens da Igreja Católica, conhecida por seu trabalho missionário e de caridade em todo o mundo.
- Matteo Zuppi (Itália): Arcebispo de Bolonha, Zuppi é parte de uma comunidade católica dedicada a cuidar dos pobres e marginalizados. Muito próximo do então papa Francisco, ele escreveu a introdução de um livro sobre a aproximação da Igreja com a comunidade LGBTQIA+.
- Joseph Tobin (EUA): O arcebispo de Newark é bastante popular entre os cardeais e é visto como uma figura unificadora. Em seu país, tem pregado contra a polarização política. Tobin já falou a favor de inclusão de LGBTs e mulheres na Igreja.
- Jean-Marc Aveline (França): Nascido na Argélia, mas criado em Marselha, na França, Aveline tem pregado contra a "criminalização dos imigrantes" e promoveu diálogos com judeus e muçulmanos. É considerado próximo do então papa Francisco.
- Charles Maung Bo (Mianmar): Mais um nome da Ásia, Bo vem de um país onde apenas 1,3% da população é católica. Ele já liderou o grupo de bispos asiáticos por dois anos e tem defendido minorias em seu país.
- Pablo Virgilio David (Filipinas): Conhecido como cardeal Ambo, foi um dos últimos cardeais escolhidos por Francisco, em dezembro de 2024. Nas Filipinas, David foi uma voz atuante contra o regime do ex-presidente Rodrigo Duterte e na luta por uma igreja mais inclusiva.
- Mario Grech (Malta): Papa Francisco escolheu Grech para ser o secretário-geral do Sínodo dos Bispos em 2019. Nesse papel, ele foi fundamental em repassar a visão de Francisco para a Igreja.
3. O que aconteceu depois da eleição?
Assim que um cardeal é eleito papa, ele precisa aceitar formalmente o cargo de papa perante o Colégio dos Cardeais e declarar seu nome papal.
As cédulas da eleição são queimadas com uma tinta que produz uma fumaça branca. Essa fumaça foi vista na Praça São Pedro e os sinos do Vaticano badalaram, anunciando a escolha.
Entre a fumaça aparecer e o nome do novo papa ser anunciado ao mundo, houve um intervalo de cerca de uma hora.
Neste período, dentro do conclave, o novo papa, de acordo com o ritual, foi levado à chamada "Sala das Lágrimas", uma antecâmara na Capela Sistina, onde colocou as vestes papais e acessórios como a batina branca, uma capa (chamada mozeta) e um solidéu branco.
A sala ganhou esse apelido em homenagem aos relatos de papas anteriores que, sentindo o peso do momento, foram às lágrimas após sua eleição.
Em uma sacada da Basílica de São Pedro com vista para a praça, o cardeal francês Dominique Mamberti anuncia em latim: "Habemus Papam" ("temos um papa"). Ele volta para o interior da Basílica, e instantes depois o novo papa se apresenta a centenas de fiéis do mundo todo.
4. Quanto tempo durou o conclave?
ão há prazo para um conclave terminar. Este terminou em menos dois dias.
Já houve três conclaves que duraram mais de dois anos — mas isso aconteceu entre os séculos 13 e 15.
Em tempos modernos os conclaves foram bem mais curtos.
Entre os últimos dez conclaves, nenhum deles durou mais que cinco dias. Quatro deles duraram apenas dois dias — inclusive os dois mais recentes, que resultaram na eleição de Bento 16 e Francisco.
Confira abaixo a duração dos últimos 10 conclaves:
2025: novo papa - entre os dias 7 e 8 de maio
2013: papa Francisco — 2 dias; entre 12 e 13 de março
2005: papa Bento 16 — 2 dias; entre 18 e 19 de abril
1978 (outubro): papa João Paulo 2º — 3 dias; entre 14 e 16 de outubro
1978 (agosto): papa João Paulo 1º — 2 dias; entre 25 e 26 de agosto
1963: papa Paulo 6º — 3 dias; entre 19 e 21 de junho
1958: papa João 23 — 4 dias; entre 25 e 28 de outubro
1939: papa Pio 12 — 2 dias; entre 1 e 2 de março
1922: papa Pio 11 — 5 dias; entre 2 e 6 de fevereiro
1914: papa Bento 15 — 4 dias; entre 31 de agosto e 3 de setembro
1903: papa Pio 10 — 5 dias; entre 31 de julho e 4 de agosto