Partido governista do Japão conquista a maioria no parlamento, aponta projeção

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, discursa durante uma reunião em Tóquio, em 5 de fevereiro de 2026.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, A previsão é que o partido de Sanae Takaichi conquiste 274 das 328 cadeiras na disputa
    • Author, Shaimaa Khalil
    • Role, Correspondente em Tóquio
    • Author, Josh Cheetham
  • Tempo de leitura: 4 min

O partido governista do Japão, liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, garantiu uma vitória decisiva nas eleições antecipadas deste domingo (8/2), segundo dados da emissora pública japonesa NHK.

A coalizão liderada pelo Partido Liberal Democrata (LDP), de Takaichi, conquistou 352 dos 465 assentos na Câmara dos Representantes do Japão, segundo dados compilados pela NHK, sendo que apenas o LDP garantiu maioria com 316 cadeiras.

Primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do país, ela busca um mandato popular claro apenas quatro meses após assumir a liderança do PLD.

Seu sucesso previsto contrasta fortemente com o de seus dois antecessores, sob os quais o partido perdeu a maioria parlamentar devido a escândalos de corrupção e ao aumento dos custos.

Uma coalizão liderada pelo PLD governou o Japão durante grande parte de sua história pós-guerra devido à falta de uma oposição forte.

Takaichi prometeu renunciar se seu partido não conseguir garantir a maioria, e alguns consideram a eleição antecipada uma grande aposta.

Em 2024, o PLD perdeu a maioria em ambas as casas do parlamento, e sua coalizão de décadas com o partido Komeito desmoronou.

Mas a popularidade pessoal de Takaichi parece ter ajudado o partido, com índices de aprovação para seu governo geralmente acima de 70%.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, já saudou uma "grande vitória" de Takaichi, afirmando que "quando o Japão é forte, os EUA são fortes na Ásia".

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também parabenizou Takaichi pelo resultado "histórico", dizendo estar confiante de que a amizade entre Índia e Japão poderá ser levada a "patamares ainda mais elevados".

Uma criança (à esquerda) segura guarda-chuvas enquanto eleitores participam da eleição para a Câmara dos Representantes em uma seção eleitoral em Tóquio, em 8 de fevereiro de 2026.

Crédito, Getty Images

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O Ministério dos Transportes do Japão informou que 37 linhas de trem e 58 rotas de balsa estavam fechadas e 54 voos cancelados até a manhã de domingo. Houve uma rara nevasca em Tóquio enquanto as pessoas saíam para votar.

"As pessoas querem que suas vidas sejam melhores e mais confortáveis ​​porque estamos tão acostumados a não ter inflação [aumento de custos]... então as pessoas estão muito preocupadas. Acho que precisamos de uma solução a longo prazo, em vez de soluções paliativas", disse Ritsuko Ninomiya, uma eleitora em Tóquio, à BBC.

O entusiasmo de Takaichi, as promessas de gastos populistas e a retórica nacionalista parecem ter energizado os eleitores.

Sua presença nas redes sociais também conquistou novos seguidores, principalmente entre os jovens eleitores. Ela compartilha regularmente vídeos de seu cotidiano e atividades políticas, e um vídeo dela tocando bateria com o presidente sul-coreano Lee Jae Myung é um dos muitos vídeos que viralizaram.

"Acho que esta eleição é mais importante para a geração mais jovem, pessoas como nós", disse Daniel Hayama, acrescentando que o clima frio não foi um obstáculo para os jovens que querem votar.

Rumi e Daniel Hayama sorrindo enquanto Rumi segura o filho deles.

Crédito, Chika Nakayama/BBC

Legenda da foto, Rumi e Daniel Hayama com seu filho

Takaichi e o PLD enfrentaram uma oposição mais unificada do que antes. O Komeito, antigo parceiro de coligação do PLD, uniu forças com o Partido Democrático Constitucional do Japão para formar o maior bloco de oposição na Câmara Baixa.

Takaichi pressionou para endurecer o sistema de imigração, rever as regras sobre a propriedade estrangeira de terras japonesas e combater a inadimplência de impostos e seguro saúde por parte de estrangeiros.

Mas, em um país onde apenas 3% da população é composta por estrangeiros, críticos a acusam de criar ansiedade e divisão.

Críticos, incluindo empresários, estão céticos de que sua promessa de aumentar os gastos e cortar impostos reanime a economia japonesa, que se encontra em ritmo lento. A dívida pública do país já é uma das mais altas entre as nações desenvolvidas.

As relações com a China – o maior parceiro comercial do Japão – também estão tensas, depois que Takaichi sugeriu, em novembro passado, que o Japão poderia intervir militarmente caso a China invadisse Taiwan.

Takaichi cortejou Donald Trump, que a apoiou publicamente – uma atitude incomum para um presidente americano – e ambos parecem concordar que o Japão deveria investir mais em defesa. Essa relação também estava na mente dos eleitores enquanto se dirigiam às urnas no domingo.

"Estou preocupada com o que o presidente Trump está fazendo, bem como com as questões de defesa nacional. Não tenho certeza de onde virá o dinheiro para cobrir isso. Portanto, equilibrar os gastos do orçamento entre defesa e a vida das pessoas é uma grande preocupação para mim", diz Yuko Sakai.

Reportagem adicional de Kelly Ng e Chika Nakayama.