Partido governista do Japão conquista a maioria no parlamento, aponta projeção

Crédito, Reuters
- Author, Shaimaa Khalil
- Role, Correspondente em Tóquio
- Author, Josh Cheetham
- Tempo de leitura: 4 min
O partido governista do Japão, liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, garantiu uma vitória decisiva nas eleições antecipadas deste domingo (8/2), segundo dados da emissora pública japonesa NHK.
A coalizão liderada pelo Partido Liberal Democrata (LDP), de Takaichi, conquistou 352 dos 465 assentos na Câmara dos Representantes do Japão, segundo dados compilados pela NHK, sendo que apenas o LDP garantiu maioria com 316 cadeiras.
Primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do país, ela busca um mandato popular claro apenas quatro meses após assumir a liderança do PLD.
Seu sucesso previsto contrasta fortemente com o de seus dois antecessores, sob os quais o partido perdeu a maioria parlamentar devido a escândalos de corrupção e ao aumento dos custos.
Uma coalizão liderada pelo PLD governou o Japão durante grande parte de sua história pós-guerra devido à falta de uma oposição forte.
Takaichi prometeu renunciar se seu partido não conseguir garantir a maioria, e alguns consideram a eleição antecipada uma grande aposta.
Em 2024, o PLD perdeu a maioria em ambas as casas do parlamento, e sua coalizão de décadas com o partido Komeito desmoronou.
Mas a popularidade pessoal de Takaichi parece ter ajudado o partido, com índices de aprovação para seu governo geralmente acima de 70%.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, já saudou uma "grande vitória" de Takaichi, afirmando que "quando o Japão é forte, os EUA são fortes na Ásia".
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também parabenizou Takaichi pelo resultado "histórico", dizendo estar confiante de que a amizade entre Índia e Japão poderá ser levada a "patamares ainda mais elevados".

Crédito, Getty Images
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O Ministério dos Transportes do Japão informou que 37 linhas de trem e 58 rotas de balsa estavam fechadas e 54 voos cancelados até a manhã de domingo. Houve uma rara nevasca em Tóquio enquanto as pessoas saíam para votar.
"As pessoas querem que suas vidas sejam melhores e mais confortáveis porque estamos tão acostumados a não ter inflação [aumento de custos]... então as pessoas estão muito preocupadas. Acho que precisamos de uma solução a longo prazo, em vez de soluções paliativas", disse Ritsuko Ninomiya, uma eleitora em Tóquio, à BBC.
O entusiasmo de Takaichi, as promessas de gastos populistas e a retórica nacionalista parecem ter energizado os eleitores.
Sua presença nas redes sociais também conquistou novos seguidores, principalmente entre os jovens eleitores. Ela compartilha regularmente vídeos de seu cotidiano e atividades políticas, e um vídeo dela tocando bateria com o presidente sul-coreano Lee Jae Myung é um dos muitos vídeos que viralizaram.
"Acho que esta eleição é mais importante para a geração mais jovem, pessoas como nós", disse Daniel Hayama, acrescentando que o clima frio não foi um obstáculo para os jovens que querem votar.

Crédito, Chika Nakayama/BBC
Takaichi e o PLD enfrentaram uma oposição mais unificada do que antes. O Komeito, antigo parceiro de coligação do PLD, uniu forças com o Partido Democrático Constitucional do Japão para formar o maior bloco de oposição na Câmara Baixa.
Takaichi pressionou para endurecer o sistema de imigração, rever as regras sobre a propriedade estrangeira de terras japonesas e combater a inadimplência de impostos e seguro saúde por parte de estrangeiros.
Mas, em um país onde apenas 3% da população é composta por estrangeiros, críticos a acusam de criar ansiedade e divisão.
Críticos, incluindo empresários, estão céticos de que sua promessa de aumentar os gastos e cortar impostos reanime a economia japonesa, que se encontra em ritmo lento. A dívida pública do país já é uma das mais altas entre as nações desenvolvidas.
As relações com a China – o maior parceiro comercial do Japão – também estão tensas, depois que Takaichi sugeriu, em novembro passado, que o Japão poderia intervir militarmente caso a China invadisse Taiwan.
Takaichi cortejou Donald Trump, que a apoiou publicamente – uma atitude incomum para um presidente americano – e ambos parecem concordar que o Japão deveria investir mais em defesa. Essa relação também estava na mente dos eleitores enquanto se dirigiam às urnas no domingo.
"Estou preocupada com o que o presidente Trump está fazendo, bem como com as questões de defesa nacional. Não tenho certeza de onde virá o dinheiro para cobrir isso. Portanto, equilibrar os gastos do orçamento entre defesa e a vida das pessoas é uma grande preocupação para mim", diz Yuko Sakai.
Reportagem adicional de Kelly Ng e Chika Nakayama.
























