O que se sabe sobre assassinato de promotor que investigava ataque a TV no Equador

Crédito, Jonathan Miranda/EPA-EFE/REX/Shutterstock
- Author, Redação
- Role, BBC News Mundo
Cesar Suárez, um dos promotores que investigava o dramático ataque armado a uma emissora de televisão no Equador ocorrido na semana passada, foi morto a tiros nesta quarta-feira (17/01).
A informação foi confirmada por uma fonte da procuradoria do país sul-americano à agência de notícias AFP.
"Infelizmente, é verdade", disse a fonte quando questionada sobre o assassinato do promotor em Guayaquil, cidade onde havia ocorrido também o ataque à emissora TC na semana passada.
O assassinato do promotor ocorreu por volta das 13h30 no horário local. Seu carro, que após o ataque aparecia próximo a uma calçada, apresentava dezenas de buracos de bala, segundo o jornal Expreso.
Suárez trabalhava com investigações acerca do crime organizado transnacional e de casos de corrupção.
Há poucos dias, ele havia concedido uma entrevista a um meio de comunicação equatoriano na qual disse ter interrogado vários dos presos pelo ataque à emissora TC.
Os acusados teriam contado à promotoria como desenvolveram o plano de invasão ao canal, enquanto as autoridades buscam pelos autores intelectuais.

Crédito, Reprodução/Facebook
Após o assassinato de Suárez, a procuradora-geral do Equador, Diana Salazar, disse que “os criminosos, os terroristas, não impedirão o nosso compromisso com a sociedade”.
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Num vídeo publicado nas redes sociais, Salazar acrescentou: “Apelamos às autoridades que garantam a segurança de quem desempenha as suas funções”.
De acordo com ela, o órgão já está investigando o assassinato, mas não deu mais detalhes.
Há uma semana, na terça (09/01), uma gangue armada invadiu uma transmissão ao vivo do canal TC, ameaçando e ferindo funcionários.
Criminosos encapuzados entraram por volta das 14h (horário local) com armas e o que pareciam ser explosivos. Eles forçaram os funcionários a permanecerem no chão.
Ao fundo, ouvia-se gritos e sons semelhantes a tiros. Um apresentador foi obrigado a pedir à polícia que saísse da área.
As imagens foram vistas por milhões de pessoas, não só porque foram transmitidas ao vivo, mas também porque se tornaram virais na internet e correram o mundo.
Unidades especializadas da polícia equatoriana entraram nas instalações da TV e prenderam 13 dos envolvidos no ataque, atualmente acusados de terrorismo.
Guayaquil é um dos epicentros do tráfico de drogas no Equador, país cujo presidente, Daniel Noboa, declarou estado de emergência há poucos dias e mobilizou o Exército para tentar controlar grupos criminosos.

Crédito, EPA
Conflito interno
Um estado de emergência de 60 dias começou no Equador na segunda-feira (08/01), depois que o líder de uma gangue, José Macías "Fito", conseguiu fugir da prisão antes de ser transferido.
No dia seguinte, após o ataque à emissora, Noboa declarou "conflito armado interno" no país, identificando "grupos do crime organizado transnacional" como "organizações terroristas".
"Ordenei às Forças Armadas que realizassem operações militares para neutralizar estes grupos", disse o presidente.
Noboa, que assumiu o poder em novembro com a promessa de devolver a segurança aos equatorianos, disse que o país não iria "negociar com terroristas."
A nação sul-americana, antes conhecida por ser mais segura que seus vizinhos, tem nos últimos meses sofrido uma grande crise de violência.
Como parte desse contexto, em 9 de agosto, o então candidato à presidência Fernando Villavicencio foi assassinado em Quito enquanto discursava em um comício político.
Na semana passada, além da invasão ao canal TC, ocorreram também vários ataques com explosivos e rebeliões, incluindo a colocação de mais de 200 agentes penitenciários como reféns.
No domingo (14), militares informaram que tinham retomado o controle de várias prisões e libertado a maioria dos reféns.















