'Levou amor onde existia ódio', diz Lula sobre papa Francisco; as reações do mundo à morte do pontífice

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Após o anúncio do falecimento do papa Francisco pelo Vaticano neste segunda-feira (21/04), lideranças de todo o mundo começaram a prestar homenagem ao pontífice.
Francisco faleceu em sua residência no Vaticano, Casa Santa Marta, aos 88 anos.
"A humanidade perde hoje uma voz de respeito e acolhimento ao próximo. O Papa Francisco viveu e propagou em seu dia a dia o amor, a tolerância e a solidariedade que são a base dos ensinamentos cristãos", disse o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em nota oficial de pesar.
"Assim como ensinado na oração de São Francisco de Assis, o argentino Jorge Bergoglio buscou de forma incansável levar o amor onde existia o ódio. A união, onde havia a discórdia. E a compreensão de que somos todos iguais, vivendo em uma mesma casa, o nosso planeta, que precisa urgentemente dos nossos cuidados."
Uma fonte no governo confirmou à BBC News Brasil que Lula planeja ir a Roma para acompanhar o funeral do papa Francisco. O Planalto confirmou oficialmente a informação.
O presidente também destacou que "com sua simplicidade, coragem e empatia, Francisco trouxe ao Vaticano o tema das mudanças climáticas".
"Criticou vigorosamente os modelos econômicos que levaram a humanidade a produzir tantas injustiças. Mostrou que esse mesmo modelo é que gera desigualdade entre países e pessoas. E sempre se colocou ao lado daqueles que mais precisam: os pobres, os refugiados, os jovens, os idosos e as vítimas das guerras e de todas as formas de preconceito", disse o presidente brasileiro.
"O Santo Padre se vai, mas suas mensagens seguirão gravadas em nossos corações."
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Ainda no Brasil, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, disse que Francisco encarnou virtudes do amor e da paz "como poucas lideranças nos dias de hoje".
"Num tempo em que há muita escuridão, foi uma luz iluminando a humanidade. A história o reconhecerá como um dos maiores", disse Barroso.
Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália, lamentou a morte do pontífice e afirmou que o papa foi "um grande homem e um grande pastor".
"Tive o privilégio de desfrutar de sua amizade, seus conselhos e seus ensinamentos, que nunca falharam, mesmo nos momentos de provação e sofrimento", escreveu no X (antigo Twitter).
"Seus ensinamentos e seu legado não serão perdidos. Saudamos o Santo Padre com o coração cheio de tristeza, mas sabemos que ele agora está na paz do Senhor."
Emmanuel Macron, presidente da França, afirmou que o pontífice foi um "homem de humildade", que sempre esteve ao lado "dos mais vulneráveis e frágeis".
Em suas redes sociais, Macron também publicou uma foto em que está sentado ao lado de Francisco e da primeira-dama da França.
"De Buenos Aires a Roma, o Papa Francisco queria que a Igreja levasse alegria e esperança aos mais pobres", escreveu no X. "Que ele una as pessoas entre si e com a natureza. Que essa esperança cresça continuamente além dele."
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi mais econômico das palavras e disse, em seu perfil na rede Truth Social: "descanse em paz, papa Francisco! Que Deus o abençoe e a todos que o amavam!".
A Casa Branca também postou "Descanse em paz, Papa Francisco", junto a uma foto do papa se encontrando com Trump e sua esposa, Melania.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, foi um dos últimos a encontrar Francisco no domingo de Páscoa (20/04). No X, ele afirmou que ficou feliz em se reunir com Sua Santidade.
"Meu coração está com os milhões de cristãos em todo o mundo que o amavam. Fiquei feliz em vê-lo ontem, embora ele estivesse obviamente muito doente", escreveu.
Vance também afirmou que sempre se lembrará de Francisco pela homilia que ele proferiu nos primeiros dias da pandemia de covid-19. "Foi realmente muito bonito", disse.
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou ter recebido a notícia com "profunda dor".
Em publicação nas redes sociais, o chefe de Estado afirmou que "apesar de diferenças que hoje parecem menores, ter podido conhecê-lo em sua bondade e sabedoria foi uma verdadeira honra para mim".
Milei insultou Francisco durante sua campanha eleitoral em 2023 e o chamou de "imbecil que defende a justiça social". Mas ele mudou o tom ao assumir o cargo. Os dois conterrâneos se encontraram em fevereiro no Vaticano.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou estar "profundamente triste".
No X, o premiê afirmou que os "esforços incansáveis" de Francisco "para promover um mundo mais justo para todos deixarão um legado duradouro".
O rei Charles também se pronunciou, por meio de um comunicado. Segundo o monarca britânico, o papa Francisco "será lembrado por sua compaixão, sua preocupação pela unidade da Igreja e por seu incansável comprometimento com as causas comuns de todas as pessoas de fé e com aquelas de boa vontade que trabalham em benefício dos outros."
"Minha esposa e eu ficamos profundamente tristes ao saber da morte do papa Francisco. Nossos corações pesados, no entanto, ficaram um pouco mais aliviados ao saber que Sua Santidade pôde compartilhar uma Saudação de Páscoa com a Igreja e o mundo, aos quais serviu com tanta devoção ao longo de sua vida e ministério", diz ainda a nota.
Ainda no mundo monárquico da Europa, o rei da Espanha, Felipe 6º, divulgou nota ressaltando que Francisco deu testemunho "sobre a importância do amor ao próximo, da fraternidade e da amizade social". "Nos seguirá inspirando sempre sua convicção sobre a necessidade de levar ânimo e consolo aos mais pobres e necessitados", diz a nota divulgada pela casa real da Espanha.

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O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky prestou sua homenagem dizendo que Francisco "sabia como dar esperança, aliviar o sofrimento através da oração e promover a unidade".
Da Rússia, Vladimir Putin lembrou Francisco como um "defensor dos mais altos valores do humanismo e da justiça".
Em nota divulgada pelo Kremlin, o presidente russo disse ainda que "teve o privilégio de se comunicar com este homem extraordinário em muitas ocasiões" e que "guardará para sempre a mais querida lembrança dele".
O futuro chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, disse que "Francisco será lembrado por seu compromisso incansável com os membros mais fracos da sociedade, com a justiça e a reconciliação".
Já o primeiro-ministro holandês, Dick Schoof, disse que "o papa Francisco foi, em todos os sentidos, um homem do povo".
O primeiro-ministro da Irlanda, Michael Martin, prestou homenagem afirmando que o papa Francisco foi um líder "excepcional" que ocupa "um lugar especial no coração do povo irlandês".
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, enviou uma mensagem de condolências, dizendo no X que o papa "inspirou milhões, muito além da Igreja Católica, com sua humildade e amor tão puros pelos menos afortunados".
A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, também se pronunciou sobre a morte do pontífice. Ela afirmou que "seu sorriso contagiante conquistou o coração de milhões de pessoas em todo o mundo".
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, disse estar "profundamente consternado" com o falecimento do papa. "Neste momento de luto e lembrança, minhas sinceras condolências à comunidade católica global."
Modi afirmou ainda que Francisco "será sempre lembrado como um farol de compaixão, humildade e coragem espiritual por milhões em todo o mundo", disse em um comunicado no X.
Por sua vez, o presidente israelense, Isaac Herzog, elogiou a "compaixão sem limites" de Francisco, enquanto a presidente suíça, Karin Keller-Sutter, afirmou que o papa foi um "grande líder espiritual, um incansável defensor da paz".
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqaei, também se posicionou. "Ofereço minhas condolências a todos os cristãos do mundo", disse.

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O anúncio da morte do pontífice foi feito pelo cardeal Farrell: "Caros irmãos e irmãs, é com profundo pesar que me cabe anunciar a morte de Sua Santidade Papa Francisco."
"Às 7:35 desta manhã (hora local. 2:35 de Brasília), o Bispo de Roma, Francisco, returnou à casa do Pai. Toda sua vida foi dedicada a servir ao Pai e Sua Igreja."
"Ele nos ensinou a viver os valores das Escrituras com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados."
O papa Francisco ficou internado de 14 de fevereiro a 23 de março no hospital Gemelli, em Roma, após sentir dificuldades para respirar durante vários dias.















