Verdes desembarcam à esquerda do Tâmisa
Lá se vão 38 anos desde a fundação do primeiro partido verde na Europa - curiosamente na Suíça. Mas só nesta quinta-feira que o ambientalismo político deu pela primeira vez no mais poderoso endereço da margem esquerda do rio Tâmisa: o Parlamento britânico.
Caroline Lucas, a líder do Partido Verde britânico, foi a autora da façanha. E em um país com uma tradição bipartidária de séculos, não é pouca coisa derrotar a concorrente trabalhista na zona eleitoral da cidade litorânea de Brighton por mais de 8% de vantagem.

A eleição de Lucas para o Parlamento também pode ser vista de forma mais simbólica: a Grã-Bretanha era o último dos grandes países europeus em que os verdes nunca tinha conquistado influência nacional.
Não que o movimento fosse de todo invisível, muito pelo contrário: em nível nacional, o primeiro partido verde da Europa foi o People britânico, fundado em 1973. Depois de uma curta encarnação como Partido da Ecologia, em 1985 ele virou o atual Partido Verde.
Ao longo dessas quase quatro décadas de política, as maiores conquistas dos verdes tinham sido duas vagas no Parlamento Europeu, em 1999. Que foram mantidas nas duas eleições seguintes, a última delas no ano passado, por Caroline Lucas e Jean Lambert
No resto da Europa, a onda verde ganhou força bem mais cedo. Em 1984, a Alemanha elegeu sete deputados europeus verdes, enquanto Bélgica e Holanda elegeram mais dois. Hoje, a bancada ambientalista europeia conta com 46 representantes.
Na Alemanha, os verdes chegaram ao Bundestag, a Câmara Baixa, ainda em 1983 e hoje são uma uma força estabelecida no sistema político, tendo participado do primeiro escalão de governos durante quase uma década.
A experiência de fazer parte de um governo que aprovou, em 2001, o envio de tropas ao recém-invadido Afeganistão foi vista, inclusive, como rito de passagem dos verdes alemães (Aliança 90/Os Verdes), obrigados a participar de decisões distantes das raízes ambientalistas.
Para o partido de Caroline Lucas, o caminho até a cúpula do poder na Grã-Bretanha ainda é longo, mas o histórico primeiro passo foi dado. Resta saber agora se os britânicos vão repetir, com algumas décadas de atraso, a trajetória dos verdes de vizinhos europeus.
ComentáriosDeixe seu comentário
Britânicos na hora certa redescobrem o valor da ecologia também na política. Os tempos estão chegados para os Verdes na Europa, na América do Suk e especialmente no Brasil, via Marina Silva, destaque nestas eleições.
È muito bom ver que a preocupação esta "acordando" alguns países, porem uma pena que as medidas efetivas tem prazos iniciais tão longos, isso tem que acontecer com mais freqüência.