Engana-se quem pensa que o veredicto do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) pôs um ponto final na discussão sobre a existência ou não do aquecimento global.
Em 2007, o grupo com milhares de cientistas de mais de 130 países - convocado pelas Nações Unidas para avaliar o conhecimento científico atual sobre alterações do clima - decretou em seu quarto relatório que o fenômeno é "inequívoco" e "muito provavelmente" (mais de 90% de probabilidade) provocado pela atividade humana.
Mas, saiu o cético George W. Bush, entrou Barack Obama - que, entre promessas de uma "revolução verde" nos Estados Unidos, incluiu no seu pacotão investimentos de US$ 80 bilhões em energias renováveis - e os céticos reaqueceram a discussão que andava morna.
Vou ficar em dois exemplos:
1. O repórter de meio ambiente Andrew Revkin, do New York Times, publicou no diário americano uma reportagem apontando exageros de ambos os lados a partir de dados científicos como o aumento/redução da cobertura de gelo dos pólos. Logo, um cético citado por Revkin, o colunista do Washington Post George Will contra atacou, criticando a ausência dos nomes das fontes usadas pelo jornalista. Confira a polêmica aqui .
2. Nesta semana, o ex-vice-presidente americano Al Gore, prêmio Nobel por seu filme Uma Verdade Inconveniente (veja o trêiler no youtube , participou de uma conferência sobre economia 'verde', organizada pelo Wall Street Journal, e foi criticado justamente por um dos céticos mais barulhentos, o dinamarquês Lomborg, por não querer debater o consenso sobre as alterações climáticas.
Foi o suficiente para os céticos inundarem o blog do WSJ de críticas.
Em suma: enquanto a ciência continua a avançar na questão, o debate promete esquentar ainda mais, pelo menos os Estados Unidos de Obama.
Será que a maré pode acabar virando?
P:S. Neste domingo que passou, começou em Nova York uma conferência sobre mudanças climáticas que pretende reunir dezenas desses céticos. Entre os cientistas e políticos esperados, está o presidente tcheco e atual ocupante da presidência rotativa da União Européia, Vaclav Klaus, que já chegou a dizer que "a mudança climática é um mito". Podem esperar mais uma declaração de repúdio ao consenso sobre mudança climática.